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sexta-feira, 22 de abril de 2011

A MORTE DE UM JUSTO

CRUCIFIXO ORIGINAL - VISEU



Hoje deu-me para isto: transcrever para aqui o texto do meu diário do passado dia oito de Fevereiro, sobre os tratos de polé que a justiça tem recebido por todos, dos tribunais à praça pública. E deu-me para isto, talvez porque, segundo dizem, hoje se comemora a morte de um justo, condenado por acusações inventadas pelos poderosos, levadas ao rubro pelos apupos da populaça. Talvez que isso nem tenha acontecido como ficou escrito. Talvez tudo isso não passe de uma encenação da justiça humana. Se assim for, pobre humanidade!
Então lá vai:

2011-02-08

Se três taralhoucos anciãos, depois de bem batida uma bisca lambida, decidem discutir os altos desígnios do país - seja, como exemplo, a justiça - temos formado o colectivo; se dois pares de labregos depois de uma renhida suecada, acolitados pelo seu séquito, entram na liça, cá temos nós os jurados; se um pronuncia; se outro acusa; se um terceiro avoca para si a defesa do arguido (a alma mater da protecção do desprotegido contra a populaça enfurecida, contra a fúria da multidão raivosa e desvairada, contra a vindicta; contra a barbárie medieval que tanto custou a superar (este papel poucos o pretenderão desempenhar, pois que todos preferirão aplicar a sanção prévia, o castigo célere, à boca do acontecimento, no quente da notícia, na ânsia de fazer justiça pelas próprias mãos) – teremos então o tribunal com todos os elementos indispensáveis ao seu regular funcionamento. E se for preciso arranjam-se testemunhas, quantas queira, toda a gente viu. O senhor viu? Não, eu por acaso não vi. Nem sequer lá estava.
É curioso que num país do tamanho de uma aldeia se torne tão difícil provar factos. Tatibitates, quantos queiram; palpites, mais que muitos; certezas, todas e as mais absolutas, ainda que antagónicas e contraditórias. E o pior é que os profissionais da justiça parece terem escorregado neste lamaçal e não sabem como dele se libertar. Ou não querem, que isto suja-os, mas dá-lhes visibilidade (vanitas, vanitatis) e uns beneficiozinhos extras. Coitados dos pobrezinhos. Como tenho pena deles! Escreveu Guerra Junqueiro: «Pobres dos pobres são pobrezinhos». Mas o poeta escreveu a pensar mesmo, apenas e só, nos pobres de pé descalço e não nos pobres de espírito.
André Moa

6 Comentários:

  • Às 22 de abril de 2011 às 17:08 , Blogger Maria disse...

    Querido André
    Voltaste cheio de força e de razão. Neste país já ninguém sabe o que é justo, nem quer saber.
    Continua a haver um disse que disse, uns que sabem tudo, mas não dizem, outros que nada sabem, mas inventam.
    No meio disto tudo, nem o homem Justo que pregaram na cruz, saberia o que fazer.
    Foi um bom Ovo da Páscoa voltar a saber de ti, por ti.
    Boa Páscoa, seja lá isso o que for, para ti e os teus.
    Um beijo
    Maria

     
  • Às 22 de abril de 2011 às 18:22 , Blogger Je Vois la Vie en Vert disse...

    Que condenaram um justo, não tenho dúvida nenhuma disso !
    Hoje em dia ? Se calhar voltava a cantar o galo 3 vezes...
    Gostei de te ler de novo, querido amigo Moa.
    Se tiveres possibilidade, gostava que lesse o meu último post que é sobre um lutador como tu. Ele provavelmente terá oportunidade de ler os comentários porque contactei a esposa.
    Feliz Páscoa para ti e os teus e muitos ovos e coelhos de chocolates para o teu neto !
    Beijinhos da
    Verdinha

     
  • Às 23 de abril de 2011 às 13:26 , Anonymous Anónimo disse...

    Nesta nova etapa da História do País,da Europa do Mundo, um Novo Ciclo tem que Recomeçar.
    Vem este poema de Miguel Torga à memória.

    "Vamos ressuscitados, colher flores!
    Flores de giesta e tojo,oiro sem preço,
    Vamos àquele cabeço
    Engrinaldar a esperança
    Temos calor no corpo entorpecido.
    Vamos!Depressa!
    A vida recomeça!
    A seiva acorda,nada está perdido!

    Para Si. Com respeito admiração e carinho.
    Abraço Grande.
    Anali

     
  • Às 27 de abril de 2011 às 15:19 , Blogger Maria disse...

    Então amigo? Não dás noticias há dias. Que se passa?
    Diz, ou pede para dizerem alguma coisa. Estou preocupada com o meu D. Quixote.
    Beijinho
    Maria

     
  • Às 27 de abril de 2011 às 19:46 , Blogger BRANCAMAR disse...

    Tenho andado por aqui a espreitar, por estes dias, para saber de ti, ainda não pude ler o texto, mas volto logo, logo.

    Beijinhos
    Branca

     
  • Às 29 de abril de 2011 às 22:04 , Blogger Dad disse...

    Venho só desejar que esteja tudo a correr muito bem e que o fim de semana possa ser bom!

    Beijinhos grandes,

     

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