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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Texto de Fernando Paulo Baptista, enviado por Onésimo Teotónio de Almeida


AO INSPIRADO POETA E MEU SAUDOSO “IRMÃO” ANDRÉ MOA
in memoriam

Evocando Tabuaço, um ano depois (2010-2011), no mesmo e exacto dia 16 de Outubro...

Meu querido e saudoso «Frater» André Moa (José Guilherme Fernandes):

Antes de partir para um importante Congresso sobre a Diáspora Lusíada, ocorrido na cidade de Providence, nos EUA, nos passados dias 14 e 15 do corrente mês de Outubro, telefonei-te para te dizer que, em tal evento, entre outros prestigiados Académicos de várias universidades americanas, canadianas e portuguesas, iria intervir o consagradíssimo Prof. Doutor Onésimo Teotónio Almeida, da Brown University, teu Amigo do coração e prefaciador do teu Mau Tempo no Anal, diário que configura uma das mais encorajantes lições de optimismo e amor à vida... Pediste-me, num registo já muito sumido da tua voz sempre delicada, suave e meiga, para lhe «entregar» um forte e afectuoso abraço teu...
Estava eu longe de imaginar que já não seria possível retribuir-te igual abraço, pois foi o Prof. Onésimo que, quando me aprestava para regressar ao nosso Portugal, se encarregou de me fazer chegar a consternadora notícia...
Neste excruciante momento de «requiem», é ainda aquele «vento poético» que te encheu luminosamente a Vida tão carregada de trágico sofrimento, que quero aqui evocar e convocar...
Foi, no dia 16 de Outubro de 2010, no SalãoNobre dos Paços do Concelho de Tabuaço, que me presenteaste com o generoso e inesquecível discurso académico na apresentação do meu livro Nesta nossa doce língua de Camões e de Aquilino... Deixa-me reviver contigo esses imperecíveis momentos, no íntimo e comovido soluçar da minha alma...
Ambos aprendemos com o Heidegger de SeinundZeit o significado da angustiante finitude da nossa condição e destino (nós somos o Sein-zum-Tode, o ser que tem por destino a Morte...) e, com ele, o sentido crucial e intranscendível da temporalidade que assinala e singulariza a nossa «passagem» por Deméter: vimos do tempo, somos tempo do tempo e existimos imersamente situados num dado fluxo-e-trajecto temporal finito...Tempo feito de êxodos, navegações e errâncias por todos os espaços reais e imaginários... Tempo não raro, sofridamente doloroso e amargo, mas também e simultaneamente aberto e revelador do respeito universalista pela «diferença» e da generosidade magnânima da dádiva e da inclusão compreensiva e integradora... Tempo-movência de tudo, a dar razão ao heraclitiano “pantarhei”, seja na energética do sonho imaginante e projectivo, seja no ritmo morfo-poiésico e na dinâmica inestancável das experiências e das vivências protagonizadas nas mais diversas circunstâncias, com a cicatriz dos sulcos indeléveis da contingência, da efemeridade e da labilidade que são inapelavelmente congeniais à nossa existência...
Mas também sabemos que «um Poeta nunca morre», sobretudo quando ele encarna (como encarnou...) na grandeza sublime do «Homem de Bem» e do exemplar «Cidadão da Humana Pólis Planetária» que sempre foste. Deixa-me, pois, recordar as palavras simples que, na memorável noite do dia 16 de Outubro de 2010, em Tabuaço, te dediquei, após o inesquecível discurso que me tributaste:

Caríssimo «Frater», André Moa:

Quero dizer-te publicamente aqui, neste lugar tão solene, que me sinto cada vez mais teu «Irmão»!... E toda essa fraternal «consanguinidade» teve o seu início nos tenros e já tão distantes anos dos «meninos» que fomos, na tantas vezes sofrida mas sempre interpelante e enriquecedora partilha de vivências e experiências que nos couberam em sorte, em Viseu, no seminário dos Padres Combonianos, no transformador contexto e referencial identitário de uma «paideia» de matriz clássica, humanista e universalista que tão profundamente iluminou o processo de construção dos arquétipos primevos da nossa ontogénese, incluindo a própria iniciação ao laborioso «prazer da escrita»...
Trouxe, por isso, de propósito para ti (que o livro, enquanto tal, está desde há muito esgotado!...), uma artesanal «réplica» evocativa dos famosos «Elementos de Composição Literária», da autoria do Jesuíta, Pe. Abel Guerra, que esse nosso saudoso Mestre das memoráveis aulas de Português — o Pe. Joaquim Dias Coelho — nos fez adoptar como «guia» insubstituível no estudo propedêutico à «arte de falar e de escrever»...
E, porque, tal como eu, também tu alimentas e transportas nos abismos do sangue e da alma a divina paixão pela Música (jamais esqueceremos a serenata coimbrã que, numa imaginária guitarra, dedilhaste e cantaste à porta de casa...), trouxe-te, em complemento, uma selecção, em folha de pauta, de canções napolitanas (daquelas que cantávamos às estrelas, nas férias da Quinta do Faleiro: lembras-te?...) e de fados e baladas da nossa imorredoira e incontornável Lusa Atenas...
É, pois e ainda, essa identidade antiga e profunda plasmada na reciprocidade dos afectos mais genuínos e das utopias mais puras que me obriga a convocar, hoje e aqui, nesta nossa terra, contigo e com esta maravilhosa gente, todos os Amigos presentes para, em conjunto, celebrarmos os Supremos e Universais Valores da Pólis e da Democracia, esculpidos a fogo no seguinte «monumento poético» de tua autoria:




CIDADÃO DO MUNDO




Sou nem grego nem troiano
Nem covarde nem tirano
Nem celta nem lusitano
Nem português nem hispano
Nem mourisco nem romano
Nem hebreu nem ariano
Nem índio nem africano
Nem europeu nem mongol.

Sou um ser uma vontade
À procura de verdade
De justiça de igualdade
De amor de liberdade
De paz de felicidade
Para toda a humanidade
Una na diversidade
Como a Vida a Terra o Sol
Sou no que sonho e faço
Cidadão Universal
Nascido em Tabuaço
Alto-Douro Portugal

André Moa in
Tabuaço Dour(o)ado
Cantata a Dois, pág. 88.

Tabuaço, 2010.10.16

8 Comentários:

  • Às 2 de novembro de 2011 às 11:05 , Blogger Maria disse...

    Mais uma bela demonstração de quem és, querido André.
    Foi bom ver Blogue mexer. É a prova que, tu continuas entre nós, inteiro e vivo.
    Como bem sabes, a Maria já não chora mas, lendo tão belas palavras, dirigidas a ti, lendo o teu poema, duas lágrimas teimosas, caíram dos meus olhos.
    Abreijos aos teus dois amigos e a ti da
    Maria

     
  • Às 3 de novembro de 2011 às 11:32 , Blogger BRANCAMAR disse...

    Magnificos textos a fazer-nos lembrar o ser enorme que foi o José Guilherme.
    Conhecia o seu gosto pela música, a poesia e a declamação, sempre gostava de cantar nos encontros de amigos e de dançar também, mas é sempre uma forma de o ter mais perto ler estes testemunhos de quem o conhece quase desde sempre.

    Um beijinho para todos, muito especialmente para a Maria Teresa.

    Branca

     
  • Às 3 de novembro de 2011 às 18:34 , Anonymous Anónimo disse...

    Andre!

    A tua áurea entre nós permanece.
    Continuas ocupando o teu espaço.
    A saudade acontece...
    Na impossibilidade daquele abraço.

    Beijo muito especial para os teus.

    L&L(Luisa)

     
  • Às 13 de novembro de 2011 às 10:53 , Blogger Maria disse...

    Cá estou eu outra vez, a matar saudades e a tentar saber notícias de todos vós.
    Como está o menino a reagir? Preocupa-me, porque o meu neto reagiu mal à morte do avô materno. Espero que ele não esteja a sofrer muito. É tão pequenino! E a Teresa, Susana, o António e a Cândida? e a mãe? Pobre senhora, chegar a esta idade para perder um filho?
    Desculpem tanta pergunta mas, lembro-me muito de todos e do vosso desgosto.
    Abreijos para todos
    Maria

     
  • Às 18 de novembro de 2011 às 10:35 , Blogger Green Knight disse...

    Hoje passei por aqui amigo MÔA.
    Nâo te vou desejar um bom fim de semana, porque já alcançaste a tua eternidade.
    Lembrei-me simplesmente de ti, com saudade da pessoa que fortuitamente conheci.Sei que estás em paz.
    Abreijos.
    jrom

     
  • Às 18 de novembro de 2011 às 19:49 , Anonymous DAD disse...

    Cada vez que por aqui passo, é a saudade que me visita!
    Beijinhos a todos os que também ainda por aqui continuam a passar.

     
  • Às 20 de novembro de 2011 às 11:56 , Blogger Maria disse...

    Também cá passo muito.
    Saudades, recordações, versos lindos. Tanta coisa me liga a este blog que, nunca deixarei de vir aqui.
    Abreijos, como ele dizia, para ti, Dad e, para todos.
    Maria

     
  • Às 4 de dezembro de 2011 às 01:02 , Blogger Kim disse...

    O nosso Moa, para mim Guimoa, estará certamente contente por continuar a constatar que não foi esquecido.
    Moa - poeta enorme. Amigo tamanho!

     

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