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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

UMA VIDA EM VERSOS COM REVERSOS








AOS SETENTA SESSENTA DE POESIA
P(OVO)
EDIÇÃO DO AUTOR
COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO DE JOSÉ DINIS
Outubro/1979
P(OVO) inclui poemas escritos antes da Revolução dos Cravos, poemas escritos durante o PREC (Processo Revolucionário em Curso), poemas escritos durante a perseguição por parte da FLA - Frente de Libertação dos Açores - grupelho aguerrido, burguês, anti-comunista primário, que via em qualquer democrata um perigoso bolchevista que o queria despojar dos seus pergaminhos e benesses. O autor foi perseguido e viu perseguidos familiares seus e os seus amigos e companheiros de luta pela causa da democracia e da transformação do tecido social açoriano, anquilosado, retrógrado e dominado por um clero conservador que recebeu mal o aggiornamento visionado pelo bom papa João XXIII, pela renovação provocada pelo Concílio Vaticano II, e se abespinhou contra as promessas do 25 de Abril.
Por tudo isto, o autor, depois de ter relembrado que nasceu no Alto-Douro, acrescentou: «Vive em Angra do Heroísmo. Por escolha e vontade próprias. A contra-gosto dos donos destas ilhas. Com a amizade retribuída do povo». E dedicou o livro «a todos os resistentes contra o fascismo e o seu imediato sucessor após o 25 de Abril/74 - o FLAscismo nos Açores. Quando algum dos mais atrevidotes que chegaram a escorraçar da sua terra muitos democratas e progressistas católicos, incluindo padres animados pelo aggiornamento que chegou a iluminar alguns sectores da igreja, me acusava de ser continental e não açoriano, insinuando que devia fazer as malas e largar para a minha terra, respondia: «Sou mais desta terra do que tu. Eu estou aqui porque quero, por escolha livre e pessoal. Tu vives aqui, porque a tua mãe te pariu aqui. Se te tivesse desovado na Cochinchina, serias cochinchinês e não quererias saber nada destas terras, pelas quais nada fazes de útil, bem pelo contrário». Ficavam abananados e raivosos, mas também desarmados pelo tom jocoso com que afirmava isto e, por certo, pela corajosa desfaçatez de os confrontar, olhos nos olhos. Até porque sabiam bem, pois eu repetia-o até à exaustão, para que constasse, que dali não sairia nem morto. Sempre que me perguntavam quando é que me ia embora, eu respondia sistemática e invariavelmente. Sair daqui, eu? Nem à força. Sou como o moreão: podem partir-me às postas, mas não largo a cabeça da toca onde habito.
Não será por acaso que o livro abre com o poema
VIDA ILHA

esta vida não é verde
nem cadinho nem vasilha
nada se cria nem perde
tudo se transforma em ilha
ilha casa sem janela
sem porta e sem postigo
condenei-me a viver nela
quero fugir ao castigo
sou casulo de mim mesmo
e dos que arrasto comigo
meu coração anda a esmo
e necessita de abrigo
na vida ilha que escrevo
não há pontes nem pontões
não sou senhor nem sou servo
ando entre os dois aos baldões
suspiro por continentes
já bebi água salgada
quero viver entre gente
que não se sinta afogada
já basta de ventania
de ondas que amedrontam
quero sentir alegria
para além da que me contam
quero ser eu corpo inteiro
sem salitre a corroer
a alma de caminheiro
que tem sede de viver
vida ilha esta que levo
viscosidade de lesma
bebo o céu todo o mar bebo
e tudo fica na mesma
André Moa



10 Comentários:

  • Às 16 de agosto de 2010 às 20:31 , Blogger Andre Moa disse...

    CAROS AMIGOS,

    Cheguei e a internet também, depois de uma tarde suada por um técnico. E aqui estou eu a assinalar a minha rentré.
    Abreijos
    André Moa

     
  • Às 16 de agosto de 2010 às 23:16 , Blogger Laura disse...

    Belo, belíssimo amigo mio...
    Gostei de ler que dali não saías nem morto, caramba... e aquele Povo ainda hoje continua sofrido, pobre, aproveitam-se deles, como qui o fazem, como em todo o lado...


    Grande homem que soubeste fazer frente aos desavergonhados.

    Um abraço apertadinho da laura

     
  • Às 17 de agosto de 2010 às 00:21 , Blogger Zé do Cão disse...

    Amigo Moa, o meu obrigado e "Aquele Abraço"

     
  • Às 17 de agosto de 2010 às 06:40 , Blogger Osvaldo disse...

    Caro irmão;

    Que nem "Che", defendeste teus ideais e os mesmos de um povo açoreano tão português como todos os outros.

    Não sabia desse movimento separatista, e movimento se pode chamar e já não gostei da sigla "Fla" que me faz lembrar as brigas no Rio entre os torcedores do Vasco, como eu, e os do Fla (Flamengo).

    Um abraço, caro irmão.
    Osvaldo

     
  • Às 17 de agosto de 2010 às 10:08 , Blogger Zé do Cão disse...

    Feito em ovo estrelado, mas cá estou pronto para a conversa.

    Um grande abraço, meu amigo

     
  • Às 17 de agosto de 2010 às 19:16 , Blogger JE VOIS LA VIE EN VERT disse...

    Grande Moa!

    Reconheço o lutador que não se deixa vencer !
    Mas ainda bem que voltaste por estas bandas, assim estás mais "à mão" dos amigos do GT !

    "Sou mais desta terra do que tu. Eu estou aqui porque quero, por escolha livre e pessoal.", dizias tu. Acho que eu, então, também posso dizer o mesmo !

    DAQUI (de Portugal) NINGUÉM ME TIRA ! DAQUI NÃO SAIO ! ver o vídeo

    Foram boas as férias ?

    Beijinhos
    Verdinha

     
  • Às 17 de agosto de 2010 às 21:06 , Blogger Andre Moa disse...

    Cara Laura,
    A mim ninguém me vira. eheheheheh
    Amigo Zé do Cão, o Zé estrelado não é você, não. É sim o Zé povinho, como no poema P(OVO) que deu o nome ao livro e que adiante será editado, melhor se verá.
    Caro irmão Osvaldo,
    Fla nos Açores significava Frente de Libertação dos Açores. Palermices que, felizmente, o povo cedo rejeitou. Que nem Che, eu? Não passei da boina. Faltou-me sempre a estrela. E uma coisa me separou irremediavelmente do Guevara: contrariamente ao que ele pensava, eu julgo que não é pelas armas que isto se comporá, mas pela educação, tenacidade e perseverança na educação, educação, educação. No fundo, sem ar professoral, bem pelo contrário, é isso que pretendo e sempre pretendi fazer dos e com os meus poemas.
    Cara Verdinha, claro que podes dizer o mesmo. Tens todo o direito de assim dizer se é isso que pensas e sentes. E eu, como bom português que procuro ser, apesar de me considerar cidadão do mundo, folgo muito em ter uma compatriota como tu.
    Daqui não saímos, daqui ninguém nos tira. Só a nossa vontade. Já conheço esta canção há muitíssimos anos. Gostei de a reouvir.
    Abreijos para todos.
    André Moa

     
  • Às 18 de agosto de 2010 às 09:43 , Blogger Maria disse...

    Querido André
    Os Açores para mim são um encanto.
    As malfadadas FLA foram provocadas por gente que nem de lá era, até alemães lá andaram.
    O meu cunhado era do Pico, onde ainda vive a minha irmã e o meu sobrinho.
    Aquela gente é boa, acolhedora, tranquila, boa. Nada teve a ver com aquele disparate.
    Os versos estão muito lindos, contam bem aquilo que lá se passou.
    Como te sentes? Eu tenho andado cheia de preguiça e farta de calor.
    Beijinhos para todos vós
    Maria

     
  • Às 18 de agosto de 2010 às 20:15 , Blogger Laura disse...

    ahhh Zé, fale comigo..e se tu és zé...mais logo à janelinha...sem demora...mas agora vou sair, arejar, tá calor que se farta..
    Um beijinho da laura..ó Zé!...

     
  • Às 19 de agosto de 2010 às 21:40 , Blogger Laura disse...

    Hoje deu-me para o fado
    num cantar tresmalhado
    tive saudade dos cantos
    que havia por aqui
    neste blogue de encantos
    onde tantas vezes me perdi...

    O pessoal foi-se embora
    deixou de cá vir
    versejar
    e só com um trovador
    não sou capaz
    de lá chegar.

    Vinde todos ó pessoal
    alegrar este recanto
    de um poeta Artista
    que me trás saudosista
    com os xistes que deixava
    e meu coração, adorava.

    Ah Moa, já cantei na Maria
    e vim aqui dançar
    quero a meu lado a alegria
    e o mais que possa alcançar...

    Um xi apertadinho da laura

     

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