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domingo, 9 de janeiro de 2011

POETA À SOLTA - VERSOS DE UMA VIDA COM REVERSOS


DE GRAU 8 COLECÇÃO GAIVOTA/35
SECRETARIA REGIONAL DA EDUCAÇÃO E CULTURA
1984

XVI
na cama a noite
dobra-se ao silvo
do cio agreste
do tempo. abre-se um infinito
de sombra correio.
é o assobio travesso do medo
com raios nos olhos.

vagarosa na charneca
a insónia solitária.

é desta vez que a tenda voa?

é desta vez?


XVII
a humidade ontem
tomou-me o pulso
e o humor

limos vermelhos
de mim escorrem

só o musgo apetece
neste saibro mal batido
por dois passos de alegria amarga


XVIII
confundem-se os cabelos do poeta
com o pó da estrada
com a dor da calçada

os dedos prolongam-se
para além do desespero

o fluxo da angústia renova-se
em todas as esquinas
XIX
início de um desejo

confusão e ruas

ano novo

gritos novos

esperanças idas

corpos submersos

os cadáveres habitam

casas

com asas atingidas

pela pedra traiçoeira

XX
nas trevas

adejam

tenebrosos beijos

mortos

antes do mexer

dos lábios


fantasia breve


amor devorado

ao tremer dos corpos

soterrados

XXI
a sombra das casas ondula sobre a areia

o vento dorme à beira dos telhados

a vida pende do cadeirão deserto

moramos em jardins dilacerados

a rua exprime sensações de medo

fios nervosos movimentam marionetas

em gestos de esgar

qualquer impressão tem a cor de sapo

forma agoniada

no momento cesariano

a terra abre-se em dor e pranto

nas horas sofridas de trevas e lamento

só a imaginação põe ovos de oiro
XXII

a areia vem da pedra
a nuvem vem do mar
é brisa
é espuma
coisa nenhuma

na base os mortos
mal cobertos
na pressa da memória
tumular
recordam
tempos idos para sempre
na fúria desta dança súbita

asas negras sobrevoam
estas casas
estes arcos
abatidos

sob a vibração do clarim telúrico
ao deflagrar o coro dos gemidos

XXIII
um sopro de vida um peito magoado
na curva da estrada um momento parado

uma vara uma sombra uma cruz uma rosa
lágrimas caídas na rua medrosa

uma cara um esgar um sorriso suspenso
um deserto verde vestido de imenso

dois pontos dois eixos um queixo um queixume
um verme na derme com patas de lume

um sudário dois brincos um sobrolho pisado
uma tela dois planos três dedos de lado

um berço um retrato a cair da parede
um susto um quebranto um manto uma rede

um rosto uma estátua um parque um brinquedo
memórias perdidas na rua do medo

8 Comentários:

  • Às 9 de janeiro de 2011 às 14:25 , Blogger José María Souza Costa disse...

    Bom dia
    Passei aqui lendo. Vim lhe desejar um Tempo Agradável, Harmonioso e com Sabedoria. Nenhuma pessoa indicou-me ou chamou-me aqui. Gostei do que vi e li. Por isso, estou lhe convidando a visitar o meu blog. Muito Simplório por sinal. Mas, dinâmico e autêntico. E se possivel, seguirmos juntos por eles. Estarei lá, muito grato esperando por você. Se tiveres tuiter, e desejar, é só deixar que agente segue.
    Um abraço e fique com DEUS.

    http://josemariacostaescreveu.blogspot.com

     
  • Às 9 de janeiro de 2011 às 15:22 , Blogger Maria disse...

    Querido André
    Dia 12 faz um ano que os pobres haitianos sofreram o mesmo. A Terceira do "teu sismo", o Pico e Faial do "meu", renasceram. No Haity tudo se tem vindo a detiorar. Doenças como a cólera, matam mais do que o sismo.
    Vieram a proposito os teus belos versos.
    Como estás, meu amigo?
    Beijos da
    Maria

     
  • Às 10 de janeiro de 2011 às 00:31 , Blogger BRANCAMAR disse...

    Olá Moa,

    Vim só deixar-te um beijinho hoje e saber como estás. Amanhã venho ler os teus versos e entretanto falaremos.
    Jà é tarde e tenho que levantar cedinho.

    Beijinhos de muita amizade.
    Tudo de bom para ti.
    Branca

     
  • Às 10 de janeiro de 2011 às 05:12 , Blogger Osvaldo disse...

    Caro irmão;

    São seis da manhã, mas antes de ir enfrentar " as feras", lembrei-me de passar por aqui para te deixar um grande abraço e te desejar uma semana de grandes e boas noticias.

    Um abraço, irmão.
    Osvaldo

     
  • Às 10 de janeiro de 2011 às 10:01 , Blogger Laura disse...

    Palavras que a pena esculpiu
    num olhar demorado
    que alguém viu
    sente-se a cada nova remessa
    de palavras inventadas
    nas pedras da calçada
    nas paredes nuas
    de casas quebradas...

    Muito bela a poesia, a última deixou-me a ler e reler, palavras demoradas na angústia e no caos dos acontecimentos.

    Beijinho e melhoras para ti.

    laura

     
  • Às 10 de janeiro de 2011 às 11:07 , Anonymous DAD disse...

    Meu querido amigo,
    Espero que cada dia te sintas melhor e que tudo se recomponha rapidamente.

    Beijinho grande,

     
  • Às 11 de janeiro de 2011 às 00:06 , Blogger Kim disse...

    Felizmente que os reversos te deram mais força para que fosse perpetuada a tua belissima veia poética.
    As tuas melhoras meu velho!

     
  • Às 11 de janeiro de 2011 às 17:35 , Blogger Laura disse...

    Aaaaaatchi...mmmmmmmmmmmmmmmmmm
    Não passa, não passa! É no que dá a treta que acabou na janelinha! fez-me ficar constipada e com tosse que nem sei.

    Beijinhos e vim saber como te sentes e se te ressentes das costas!

    laura

     

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