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sábado, 4 de dezembro de 2010

DEMOCRISE - A CULPADA FOI A COBRA


«A HISTÓRIA DA AUSTERIDADE»


Li há dias na revista Visão o artigo de Boaventura de Sousa Santos A história da austeridade de que vou respigar algumas passagens com as quais estou totalmente de acordo e que nos poderão servir de ponto de partida para uma troca de impressões sobre o assunto.
A primeira questão que levanta é a de saber se «todos somos culpados da crise porque todos, cidadãos, empresas e Estado, vivemos acima das nossas posses e nos endividámos em excesso».
Segunda questão é se «a única solução será cortar as despesas do Estado diminuindo os serviços públicos, despedindo funcionários, reduzindo os seus salários e eliminando prestações sociais».
Será que – terceira questão - «as diferenças ideológicas já não contam, o que conta é o imperativo de salvação nacional, e os políticos e as políticas têm de se juntar num largo consenso, bem no centro do espectro político»?
Resposta: «A crise foi provocada por um sistema financeiro empolado, desregulado, chocantemente lucrativo e tão poderoso que, no momento em que explodiu e provocou um imenso buraco financeiro na economia mundial, conseguiu convencer os Estados a salvá-lo da bancarrota e a encher-lhe os cofres sem lhe pedir contas. Com isto, os Estados, já endividados, endividaram-se mais, tiveram de recorrer ao sistema financeiro que tinham acabado de resgatar e este, porque as regras de jogo não foram entretanto alteradas, decidiu que só emprestaria dinheiro nas condições que lhe garantissem lucros fabulosos até à próxima explosão».
«A história dos anos de 1930 diz-nos que a única solução é o Estado, o conjunto de Estados, como a União Europeia, investir, criar emprego, tributar os super-ricos, regular o sistema financeiro. Só assim a austeridade será para todos e não apenas para as classes trabalhadoras e médias que mais dependem dos serviços do Estado».
«Porque é que esta solução não parece hoje possível? Pergunta o articulista, para logo responder: «Por uma decisão política dos que controlam o sistema financeiro e, indirectamente, dos Estados. Decisão que consiste em enfraquecer ainda mais o Estado, liquidar o Estado de bem-estar, debilitar o movimento operário ao ponto de os trabalhadores terem de aceitar trabalho nas condições e com a remuneração unilateralmente impostas pelos patrões».
E acrescenta: «Para isso é necessário eliminar todos os direitos que (os trabalhadores) conquistaram depois da II Guerra Mundial. O objectivo é voltar à política de classe pura e dura, ou seja, ao século XIX».
E remata: «A política de classe conduz inevitavelmente à confrontação social e à violência. Como mostram bem as recentes eleições nos EUA, a crise económica, em vez de impelir as divergências ideológicas a dissolverem-se no centro político, acicata-as e empurra-as para os extremos».
Dai concluir com a seguinte advertência: «Os políticos centristas seriam prudentes se pensassem que na vigência do modelo que agora domina não há lugar para eles. Ao abraçarem-no, estão a cometer suicídio».
Tiro certeiro. Na mouche. E depois não venham dizer que ninguém tentou abrir-nos os olhos, que ninguém nos avisou.
André Moa

14 Comentários:

  • Às 4 de dezembro de 2010 às 14:43 , Blogger Bichodeconta disse...

    Ninguém liga oi melhor as pessoas dizem não ligar pra politica embora cada acto do dia a dia seja um acto politico.Desde que tomo a decisão de me levantar, tomar ou não pequeno almoço, fazer compras se o dinheiro o permite neste ou naquele lugar, votar ou não, comentar o que me agrada ou desagrada inclusivé o dinheiro gasto em cimeiras e outras caganeiras tudo é um acto politicpo..Pode ser um acto irreflectido o que torna a coisa mais séria, mas nem assim deixa de estar conotado com alguma força ou membro politico..Dizes bem Moa amigo, depois do que visto está de há tanto anos a esta parte, depois de verem como os politicos se prefilam para ocupar a cadeira, não se queixem depois que ninguém avisou, que foi por isso que cairam na mesma asneira.. Abreijos..

     
  • Às 4 de dezembro de 2010 às 14:44 , Blogger Bichodeconta disse...

    Desculpa caganeira não era para escrever, mas como diarreia não rima , vá de caganeira pra cima ehehe.Abraço-te com ternura e carinho..

     
  • Às 4 de dezembro de 2010 às 17:52 , Blogger Je Vois la Vie en Vert disse...

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • Às 4 de dezembro de 2010 às 23:03 , Blogger Je Vois la Vie en Vert disse...

    Caro Moa,
    Não percebo nada de política nem de economia mas sei gerir o dinheiro do que disponho porque felizmente tenho a sorte de ter uma vida estável, mesmo se também vou sofrer com os cortes nos vencimentos e no aumento do preço das coisas.
    Hoje de manhã, fui à antiga FIL para dar o meu contributo à caridade comprando umas coisinhas no bazar diplomático. É sempre agradável ver coisas de diversos países e comprar uns artigos diferentes mas nunca perco a cabeça por nada de caro, a não ser o meu perfume habitual francês que comprei para um preço sem concorrência e o salmão norueguês para o Natal, as comprinhas que fiz não ultrapassavam os 5 euros. É a minha maneira de juntar o útil ao agradável. Mas quando chegamos, deparamos com uma fila enorme que dava voltas e mais voltas e metemo-nos nela. Avançávamos a passo de caracol até que ouvimos a conversa de 2 senhoras atrás de nós e descobrimos que a fila onde estávamos era para a bilheteira do Stock Market. Afinal as pessoas iam pagar, acho eu, 5 euros, para irem comprar roupas de marca mais baratas enquanto eu ia pagar uma entrada de 2 euros que ia reverter para a caridade. É por isso que estranhamos a presença de tantos jovens nesta imensa fila !
    Roupa de marca são bens essenciais ?
    Estou muito bem colocada para saber que quem precisa de roupa pode recebê-la em donativo.
    Eu acabarei escrevendo : afinal onde está a crise ? Ninguém a vê ? Continua tudo na mesma. Será que as pessoas são cegas ou inconscientes ?
    Beijinhos
    Verdinha

     
  • Às 5 de dezembro de 2010 às 08:40 , Anonymous laura disse...

    Meu querido Moa. Não sei responder, não sei comentar a preceito, só sei que há no mundo o suficiente para todos terem trabalho e viverem decentemente, mas uns roubam, outros estragam, outros deitam fora, outros são preguiçosos e querem viver às custas alheias e assim: está tudo desregulado...e não há solução para nada...
    Mais violência vai surgindo dia a dia, mais miséria e fome e tudo isso porquê? apenas pelos corruptos e ladrões!...

    Agora até que alguém tenha boas ideias e as execute...vão levar anos e...até lá vamos vivendo sabe-se lá como...

    Um beijinho de Bom Domingo.

    laura

     
  • Às 5 de dezembro de 2010 às 13:01 , Blogger Andre Moa disse...

    Querida Ell, amoroso bichodeconta,

    Tocaste num ponto que há muito me confrange e entristece. Políticos de café ou da esquina da rua, tal como treinadores de bancada, não obrigado. Todos nos sentimos aptos e preparados para arrotar postas de pescada, sem sequer conhecermos a pescada. Nem pelo cheiro.
    Os que se dizem apolíticos são do pior tipo de políticos que eu concebo. Não fazem nem deixam fazer, mas com uma arrogância e petulância inconcebíveis deitam abaixo tudo e todos,com uma desfaçatez e com um àvontade impressionantes. Nós os portugueses somos os campeões do mundo da maledicência caseira, da autoflagelação. Só não admitidos que um estranho nos venha mostrar uma cagadela de mosca chapada na testa. Aí levanta-se-nos logo a crista e ficamos de esporão em riste. Isto tem um nome: estultícia, ignorância arrogante, parvoíce, falta de nível educacional e cultural. Não passamos de uns Zés Pacóvios, convencidos de que somos valorosos.Valorosos, nós? Sim, temos os nossos valores. Resta é saber que valores, se bons, se maus, e se sabemos pôr a render os nossos reais e valorosos valores.
    PS - Hoje, pelos vistos, acordei de cu para o ar. eheheheheheh
    Beijinhos
    André Moa

     
  • Às 5 de dezembro de 2010 às 13:23 , Blogger Andre Moa disse...

    Querida Verdinha,

    Depois do teu comentário, bem elucidativo de uma mentalidade de consumo e de solidariedade por um canudo, terminas por perguntar: «afinal onde está a crise ? Ninguém a vê ? Continua tudo na mesma. Será que as pessoas são cegas ou inconscientes ?
    Se me permites, deixo aqui a minha resposta às tuas pertinentes interrogações.
    1.º - a crise não está nos que a não sentem, de certeza absoluta. E há muitos que não só não a sentem, como enriquecem à custa dela.
    2.º - A crise não se vê. A crise é como o vento. Não se vê, apenas se sentem os efeitos. Tenho a impressão que quem mais fala da crise, menos a sofre ou não a sofre mesmo nada. A solidariedade é muito bonita,quando não passa de palavras, chá e canasta, mas custa para caramba abraçá-la, seguir-lhe os passos, sofrer verdadeiramednte com os que sofrem. Só que ninguém - nem a Teresa de Calcutá - sofre verdadeiramente com os que sofrem. Só os que sofrem sentem verdadeiramente o sofrimento.
    3.º -Não continua tudo na mesma, mas numa bicha para compra de artigos de marca até parece. Só que a crise, a verdadeira e pesada crise, não passa por essas bichas.
    4.º - Será que as pessoas são cegas ou inconscientes ? São. Todas. As que sentem verdadeiramente a crise, porque só abriram os olhos quando a crise lhes bateu na testa, forte e feito. e mesmo assim, não sei se depois da pancada ab riram os olhos e começaram a ver claramente e para todo o sempre. Logo, são inconscientes e inconscientes continuarão. Os outros, os que a crise não sentem, são inconscientemente conscientíssimos, egocentríssimos, egoístas de alto coturno.
    PS - Não há dúvida que hoje acordei com os pés de fora. Ou não?
    Beijinhos.
    André Moa

     
  • Às 5 de dezembro de 2010 às 13:38 , Blogger Andre Moa disse...

    Querida Laura,

    Não há dúvida que se todos tivéssemos o teu coração de pomba e a tua santa e ingénua boa intenção, o mundo seria um paraíso. Só que a realidade não é essa. Só que o homem sempre foi e sempre será o lobo do homem. E para atacar os lobos, só existe uma solução que é a de os homens se unirem (a união faz a força)e armarem de saber, ponderação e determinação e escorraçar os lobos do redil. Outros lobos virão mais cedo ou mais tarde e tentarão abocanhar outras ovelhas. E é preciso muito cuidado para distinguirmos os verdadeiros lobos, mas vestidos com pele de cordeiros. Estes, em meu entender, são os mais perigosos, pois que convivem e tentam confundir-se com as ovelhas para melhor as abocanharem. Orai e vigiai, disse Jesus aos seus discípulos, quando os inimigos se aproximavam para os prender. Eu direi o mesmo por outras palavras: Preparemo-nos e não nos deixemos apanhar desprevenidos, como coelhinhos na toca. Amen.
    PS - Não há dúvida que hoje acordei muito evangélico. Ou não?
    Beijinhos
    André Moa

     
  • Às 5 de dezembro de 2010 às 13:53 , Anonymous laura disse...

    Moa, Moaaaaaa, ahhhh acordaste com os pés bem lãzudinhos pela parte que me toca..a gente sabe tão bem onde andam os lobos, se sabemos e até se disfarçam de cordeirinhos cujo balir quer chamar a atenção para as misérias deles, mas...De boas intenções está o mundo cheio! Apanharem-nos desprevenidos? lá isso sim, mas a gente pensa sempre que tudo dura uma vida e que nunca nada nos faltará...Puro engano...mas só a vida nos mostra isso na hora certa.

    Um beijinho e fiz as azevias, apenas algumas e vou lanchar com as meninas e passar uma tarde divertida, mesmo com a chuva a bater à porta e o vento a açoitar as árvores... ruaaaaaaaaaa.

    Beijinhos e té depois.

    laura

     
  • Às 5 de dezembro de 2010 às 15:40 , Anonymous Anónimo disse...

    Não sei escrever,falar pouco!mas quero ouvir as suas palavras.Com os olhos,com a mente e com a alma.Até que a voz lhe doa, não deixe de nos transmitir o seu saber e a sua (análise),que nos mostra,um bom exemplo de ser.
    A união faz a força e a força bem direccionada,
    "Vai mover montanhas."
    Bem -haja.
    Abraço Grande.
    Anali

     
  • Às 5 de dezembro de 2010 às 21:09 , Blogger Laura disse...

    Moa, vinha decidida a limpar-te o sebo, mas ainda a rir com a tua Paz, Paz, Paz mas mais ainda com as pás dos tabefes... hoje vai tudo na frente, estás aí para arrasar, e a gente acompanha-te!

    Não sei se te encontro na janelinha. Levantei-me com as galinhas ou antes, com os galos...e estou a colar as pestanas, vou enfiar-me no ninho e relaxar, se me der aquela genica, vou ter contigo, se não aparecer é ..porque adormeci.

    beijinhos e té depois.

    laura

     
  • Às 5 de dezembro de 2010 às 22:54 , Anonymous DAD disse...

    Bom post e bons comentários. Gostei do que li.
    Também concordo que, quem vai sentir mais a miséria não são aqueles que mais a comentam, mas sim aqueles que nem têm tempo para ouvir as notícias pois estão totalmente preocupados com o pão nosso de cada dia.
    Concordei, na íntegra, com os teus comentários.

    Beijinhos a todos e durmam bem!

     
  • Às 6 de dezembro de 2010 às 00:18 , Blogger Andre Moa disse...

    QUERIDA ANALI,

    EU É QUE TENHO DE AGRADECER AS SUAS GENROSAS E ESTIMULANTES PALAVRAS.
    Beijinhos
    André Moa

     
  • Às 6 de dezembro de 2010 às 00:28 , Blogger Andre Moa disse...

    Querida DAD,
    Não fôssemos nós almas quase gémeas. eheheheheh.
    Obrigado pela força.
    André Moa

     

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