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sábado, 3 de julho de 2010

CRÓNICAS ALPINAS











Simotchka
O Diário de Simotchka


Serafima Fedorovna Voronina. Os amigos chamavam-na de Simotchka. Nascida em Tsaritsyne em 1905, era professora nesta cidade que tinha sido renomeada de Stalingrad de 1925 a 1961.
Quando as tropas alemãs se aproximaram, na Primavera de 1942, Serafima trabalhava na fábrica Outubro Vermelho. Poderia ter sido evacuada no inicio dos bombardeamentos, mas devido aos ferimentos do seu pai, ela preferiu ficar. Teve uma segunda oportunidade de sair da cidade e atravessar o Volga, mas recusou abandonar os pais uma vez mais. Morreram os três sob os bombardeamentos no final de Outubro de 1942.
Serafima conheceu todos os horrores que os civis, encurralados, sofreram na batalha de Stalingrad: o medo, a fome, o desespero, a morte dos amigos, dos vizinhos e a angústia de não ter notícias dos seus familiares evacuados. De 10 de Setembro a 25 de Outubro ela descreveu no seu Diário a vida dos que ficaram na cidade. Um soldado da Armada Vermelha encontrou os manuscritos nos escombros da cidade e entregou-os à família de Serafima, alguns anos mais tarde. Os textos a seguir são extraídos desse Diário.
«10 de Setembro de 1942, Quinta-feira.
(...) depois de domingo, já faz cinco dias de bombardeamentos continuados. Os dias continuam doces, ensolarados, claros. O Volga é belo, calmo, límpido como um espelho.
17 de Setembro de 1942, Quinta-feira.
(...) tudo está destruído, a cidade não existe mais, tudo são ruínas. Cobrimo-nos com travesseiros e cobertores e ficamos deitados, nem vivos, nem mortos.
29 de Setembro de 1942
(...) faz hoje 39 dias que nos escondemos nas trincheiras. O que nos vai acontecer?
02 de Outubro, sexta-feira, 14h.
(...) hoje de manhã, Olia e eu fomos procurar água ao Volga, assim como ontem. Os aviões passam, as balas silvam, mas é necessário procurar água, não podemos sobreviver sem ela. (...) sentada escrevo estas palavras, talvez que alguém um dia as lerá e aprenderá os horrores que nós vivemos e continuamos a viver.
03 de Outubro de 1942, sábado, 4h20 da madrugada.
(...) no início, o meu coração parava e eu ficava bloqueada, mas agora tudo parece petrificado, meu coração não sofre mais, advinha o que pode acontecer.
06 de Outubro de 1942, terça-feira, 14h.
(...) Olia tranquiliza-nos a todos, diz que não devemos lamentar nada e que o importante é continuarmos vivos. (...) à nossa volta é um planalto de estepes nu, esburacado pelas bombas e só existem ruínas em volta. (...) como é aterrador, tão aterrador que é impossível descrever.
08 de Outubro de 1942, quinta, meio-dia e meia hora. (...) os nossos repelem os alemães; mas na noite seguinte, eles progridem de novo. É como se jogassem ao xadrez. (...) vamos continuar vivos? Só Deus sabe.
19 de Outubro de 1942, segunda, 22 horas.
(...) hoje não pensamos senão numa coisa: continuarmos vivos. Só a vida conta, pouco importa o resto. (...) como e quando este jogo irá acabar? Nós sofremos tanto! Isto não é uma guerra mas um jogo de marionetas.
25 de Outubro de 1942, domingo, 14h.
(...) a aldeia industrial de Outubro Vermelho não existe mais e todos os dias há bombardeamentos. (...) as bombas chovem sem parar e é impossível sair do abrigo. Ficamos estendidos lá como toupeiras. Os dias continuam doces e ensolarados. Que belo dia de Outono!
P.S.- Este o último texto escrito por Serafima.
Osvaldo

Apontamentos anticancro 23
«O cancro é um fenómeno fascinante e perverso. Apropria-se da inteligência inquietante das nossas funções vitais para corrompê-las e, por fim, virá-las contra si próprias. Estudos recentes revelaram como é que esta subversão actua. Quer seja a gerar inflamação ou a “fabricar” vasos sanguíneos, o cancro imita a nossa capacidade básica de nos regenerarmos, visando o resultado oposto. É o inverso da saúde, o negativo da nossa vitalidade. Mas tal não significa que ele seja invulnerável. Na verdade, apresenta falhas que o nosso sistema imunitário sabe como explorar naturalmente».Do livro «Anticancro – um novo estilo de vida» de David Servan-Schreiber.

16 Comentários:

  • Às 5 de julho de 2010 às 21:04 , Blogger Paixão Lima disse...

    Caro Osvaldo,
    Felicito-te pela ideia de citares o Diário de Simotchka. Para que a memória não se perca é necessário lembrar às novas gerações, o flagelo e o morticínio que constituiu a Segunda Guerra Mundial. A batalha de Stalingrado durou sete meses e vitimou mais de dois milhões de pessoas entre soldados e civis. É considerada como a maior e mais sangrenta batalha da História. Sem o heroísmo e o sacrifício do povo soviético, não seria possível libertar a Europa do nazismo. Basta lembrar que pereceram na guerra mais de vinte milhões de soviéticos. O equivalente à morte de toda a população de Portugal (duas vezes).
    Um abraço.

     
  • Às 5 de julho de 2010 às 22:25 , Blogger Osvaldo disse...

    Caro amigo Paixão;
    Tens toda a razão. Devemos deixar como testemunho o testemunho de quem viveu esse inferno como Simotchka de quem eu recentemente conheci um sobrinho neto.
    Quero também referir que as jovens em uniforme, são estudantes de Volgograd a quem a Câmara e o dept. da Cultura da cidade outorgam a cada ano, o prémio de melhores alunos de história e como prémio são autorizados a vestirem o uniforme da Armada Russa na II Guerra. É a maior honra para o aluno e respectiva familia.

    Um abraço caro Paixão.

    Osvaldo

     
  • Às 6 de julho de 2010 às 00:16 , Blogger Kim disse...

    Por muito que custe ler ou ouvir,todas as "estórias" de qualquer guerra devem vir à luz do dia. Só quem viveu tal situação poderá gritar a raiva que até os moles corações não aguentam.
    Abraço amigo

     
  • Às 6 de julho de 2010 às 00:19 , Blogger Andre Moa disse...

    Muito sabes tu, meu irmão Osvaldo! E tu, meu irmão Paixão! Eu de guerra não sei nada. fugi sempre dela como o diabo da cruz. Mesmo assim, não me livrei de quatro anos de tropa em Angola. Ironia do destino. Mas escapei ileso e isso é que me regozija.
    Um grande abraço.
    André Moa

     
  • Às 6 de julho de 2010 às 00:55 , Blogger Paixão Lima disse...

    Amigo Osvaldo,
    Agradeço o teu esclarecimento e a possibilidade que me dás de apreciar as fotografias no aspecto formal que é muito belo, como também o que representam e o seu significado. Manifestas ser um virtuoso na arte de fotografar, pois tratam-se de fotografias «made in Osvaldo» e com muita qualidade. Estás de parabéns. Foi esquecimento teu não explicares a razão das fotografias. As tuas explicações vão enriquecer bastante este blog, já de si, muito belo.
    Um grande abraço, Amigo Osvaldo.

     
  • Às 6 de julho de 2010 às 10:48 , Blogger Laura disse...

    Nada me admira vindo das tuas fotos ou da tua escrita, digamos; tudo o que sai das tuas mãos...é belo, é puro é feito com sentimento.És alguém muito valioso para mim e leio-te com o coração aberto, sei que falas sempre verdade e que contigo posso aprender. Que bela narrativa do que se passou lá, lá onde o sol também brilha e onde como sempre em todo o lado, as pessoas sofreram horrores e mais horrores, malditas guerras, maldito o coração do homem que não aprende a perdoar e só através da cobardia da guerra se sente seguro!
    Amei, e as ninas são lindas...Parece que espelhavam no rosto as dores da Serafima!...

    Aquele abraço da vossa nina.

     
  • Às 6 de julho de 2010 às 10:51 , Blogger Laura disse...

    Moa, que o bicho vá estendendo as patas e comendo tudo o que está mal...e, muito naturalmente o nosso organismo defende-se do que não presta..Força nesses pensamentos felizes e no próximo passeio a Tabuaço, ah, não escapas de me levar onde a nossa princesa (hoje sou eu..) se encontrava com o D. Thedon e quero ir se possível a S. Pedro das águias...se não sabes onde é, perguntaaaaaaaaaaa...
    aquele apertadinho abraço da laura

     
  • Às 6 de julho de 2010 às 10:51 , Blogger Laura disse...

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • Às 6 de julho de 2010 às 10:55 , Anonymous Anónimo disse...

    Osvaldo...


    Nada me admira vindo das tuas fotos ou da tua escrita, digamos; tudo o que sai das tuas mãos...é belo, é puro é feito com sentimento.És alguém muito valioso para mim e leio-te com o coração aberto, sei que falas sempre verdade e que contigo posso aprender. Que bela narrativa do que se passou lá, lá onde o sol também brilha e onde como sempre em todo o lado, as pessoas sofreram horrores e mais horrores, malditas guerras, maldito o coração do homem que não aprende a perdoar e só através da cobardia da guerra se sente seguro!
    Amei, e as ninas são lindas...Parece que espelhavam no rosto as dores da Serafima!...

    Aquele abraço da vossa nina. Laura

    (já postei duas vezes e foi tudo ao ar,deixa ver agora como anónima...)

     
  • Às 6 de julho de 2010 às 11:01 , Anonymous Anónimo disse...

    Acho que ando a comentar para o boneco, comentei, apaguei, corrigi, colei, voltei a colar e nadaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa..mau maria..deve ser do calor..

    laura

     
  • Às 6 de julho de 2010 às 22:25 , Blogger Laura disse...

    Tem graça que ainda há pouco li um livro que fala do tempo da guerra na Rússia, dos czares, Bolcheviques e por aí fora, tempos macabros, tempos de dor...

    Li o Ana Karenine de Leon Tolstoi há muitos anos, ainda era uma jovenzinha dos meus 16...era um livro enorme, branco, foi-se na enchente da garagem, perdi tantos livros que fiquei quase depenada. Eram tantos tantos...
    Hoje leio pouco, leio mais por aqui..

    beijinho, laura

     
  • Às 7 de julho de 2010 às 03:53 , Blogger Maria Soledade disse...

    Belo testemunho onde impera o sofrimento atroz a que a Segunda Guerra Mundial obrigou.Ler o diário de Simotchka obriga-nos a "entrar" sem querer no cenário de guerra.As atrocidades cometidas deixaram marcas terrivelmente profundas.Nem o tempo vai ter tempo de as apagar!!Os nossos jovens conhecem a História dessa maldita guerra.Os jovens de amanhã irão conhecê-la também...São cicatrizes de uma História,e, as cicatrizes perduram,nunca saram...

    Parabéns pelas fotos.Tristemente belas...

    Muitos beijinhos Amigo Osvaldo

    Muito Obrigada por trazer à nossa memória um testemunho de sofrimento mas...MUITO REAL!!

     
  • Às 7 de julho de 2010 às 16:09 , Blogger Laura disse...

    Moa, tens de passar plo resteas...desta vez é o meu ponto G...bora pra lá rir claro... um xi de mim.

     
  • Às 7 de julho de 2010 às 18:43 , Blogger Je Vois La Vie en Vert disse...

    Graças aos diários, podemos saber mais ainda sobre os horrores da guerra. Este fez-me pensar no diário da Anne Franck que também foi muito útil para saber alguns pormenores do campo de concentração de Auschwitz.
    Alguém os encontrou, alguém os leu, alguém os divulgou e neste caso, o nosso amigo Osvaldo, juntamente com as suas magníficas fotografias tiradas in loco, publicou as palavras da Simotchka. Uma consolação : ela morreu num belo dia de Outono do que, apesar da dureza da vida dela, ainda conseguiu ver a beleza !
    Beijinhos
    Verdinha

    P.S.Só uma pergunta ridícula, caro amigo Osvaldo : os pompons que as militares levam atrás da cabeça, fazem parte da farda ?

     
  • Às 7 de julho de 2010 às 20:48 , Blogger Osvaldo disse...

    Cara Verdinha;

    Não, a pergunta não tem nada de ridicula e é perfeitamente normal.

    Visto que só a guerra de Stalingrad causou mais de dois milhões de mortos e oitenta por cento de homens jovens, o prémio é dado às melhores estudantes de histórias que têm o privilégio de vestir as fardas militares russas durante o desfile comemorativo em homenagem aos jovens combatentes e a grinalda branca em homenagem às muitas à mulher Russa que tudo sacrificou em defesa da Pátria.

     
  • Às 8 de julho de 2010 às 09:43 , Blogger Laura disse...

    Também reparei no que parecia um pedaço de véu branco atrás dos chapéus, logo vi que teria de ter algum significado..
    Um jinho a todos..laura

     

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