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sexta-feira, 25 de junho de 2010

O QUINTETO ERA DOURO - 2




FOI ASSIM
Senhoras e Senhores, excelsas leitoras, celsos leitores, já que o adquiristes, lede este livro. Escutai o que têm para vos dizer estes dois escritores – estes dois poetas metidos na pele de pensadores em prosa poética – que um dia decidiram dizer o que sentiam e o que não sentiam, o que reflectiam e não reflectiam, o que intuíam e não intuíam, o que deduziam e não deduziam, analisavam, criticavam, denunciavam, criavam e recriavam.
Um – o Ernesto Leandro – sempre a sério, no conteúdo como na forma; o outro – o André Moa – a meio termo, entre o sério e o jocoso, meio a sério, meio a brincar, mas sempre com a louvável e gostosa intenção de levantar o moral às tropas e as saias às raparigas. Se nem um nem outras – moral e saias – se elevarem, não é por falta de vontade, mas por incapacidade; não será por não querer, mas por não poder. Pois bem: as saias que as levante o vento; o moral que se erga com os pensamentos, as reflexões, as tentativas de divertimento sério (mas não sisudo) para aqui vertidos. Para tanto (condição suficiente e necessária), bastará ler este livro e sopesar, como convém, tudo o que ele contém.
Sobre a génese, gestação e parto, o pai da criança que fale se quiser, que eu apenas fui convidado para padrinho. Desde que anuí em apadrinhar, em apascentar a criança, não me converti, mas procurei cumprir o melhor que pude e soube o papel, alimentando metade do corpo e da alma com que ficou, e até metade do vestido lhe pintei. A verde o que é de padrinho; a preto o que preto nasceu e ao pai pertence.
Passo a contar como tudo isto aconteceu, como esta segunda parceria[1] surgiu.
À medida que o Ernesto Leandro ia dando à luz estes seus pensamentos, foi-me mostrando, ou melhor, lendo à distância, a cada puxão de parto, os centímetros de cabeça de fora. E eu gostando. Gostando cada vez mais. E foi assim que fui criando amor por este novo filho do Ernesto.
Quando o deu por concluído, limpo e asseado, preparado que ficou para ser apresentado no areópago das letras, fez o favor de o esparramar em folhas A4, e me oferecer uma cópia. Li, reli, olhei, mirei e regalei-me.
Por estas e por outras manifestações de prazer e regozijo é que o Ernesto (suposição minha) se terá lembrado de me convidar para padrinho e costureiro de parte do vestido da criança. Questão de enfeite. Mera contribuição para que o recém-nascido, bonito e rechonchudo que já era, aumentasse um pouco no volume, que não na ponderação, muito menos na qualidade.
Comecei por recusar, com a recta intenção de não conspurcar o que nascera são e escorreito.
Mas a tentação e a vaidade acabaram por me obnubilar o espírito e o bom senso, e lá dei por mim a avançar, sinuosa e enviesadamente, pelo caminho rectilíneo que o Ernesto Leandro havia rompido.
E deu-me muita satisfação ir plantando, a cada passo, no chão por outro arroteado, umas flores de plástico, quando não lançando uns grãos de joio na ondulante seara do bom trigo antes semeado.
Mas nem tudo está perdido, fácil que se torna separar o trigo do joio. Este ganhou verdete; aquele manteve a cor natural de qualquer escrita que se preze, o preto. O que é bom dispensa qualquer pintura.
Há uma outra versão justificativa da minha presença a verde. Como verificarão, ao lerem a confissão espontânea e adiante expressa, o Ernesto Leandro mantém um contencioso com a vida desde a juventude, que faz dele um inconformado, um revoltado, um pessimista. Com estas qualidades, natural nele se torna escrever a preto carregado, já que é negra a visão que tem do mundo e da vida a que chama madrasta.

Eu que tenho razões de sobra para fazer a mesma leitura da vida, sou um optimista de raiz. Cultivo o humor e a boa disposição, aparento habitar numa galáxia situada nos antípodas da que o Ernesto imaginou e, por via disso, construí um discurso com estas características.
Assim, a tendência foi para eu dizer sim onde ele diz não, escrever a verde quando ele carrega de negro, pensar positivo onde ele pensa negativo. Nem sempre assim será, uma vez que os extremos tendem a tocar-se e, apesar do quadro onde cada um esparrama corpo, alma e divindade ser outro e de cores diferentes, muito de comum nós temos, nomeadamente no que toca ao político, ao social, ao amor à arte, à literatura, à verdade, à frontalidade, ao despojamento, à falta de ambição, ao amor ao próximo e ao afastado, ao espírito de solidariedade, etc., etc., etc.
Esta necessidade de recorrer a três etc. seguidos pode significar (significa mesmo) que me está a faltar água ao leme, pelo que por aqui me fico, esperando que tenha demonstrado a sem razão da minha presença neste trabalho, o porquê do título do livro e das cores utilizadas na escrita.
Fui desafiado. Habituado, desde pequeno, a não enjeitar desafios, também não rejeitei este. Cantar ao desafio foi sempre para mim um prazer e uma forma de ir extravasando o que me vai na alma.
Feito e aceite o convite, era tarde para arrependimentos. Quanto mais não seja por cortesia, o Ernesto não terá outro remédio senão aguentar os meus dichotes à porfia com os seus ditos tão primorosamente escritos.
Agora, quem quiser ler que leia; e quem quiser fugir que fuja, que ainda está a tempo. Como fugir pode aparentar covardia, medo de enfrentar seja o que for, se fosse a si, caro leitor, fugiria sim, mas para a frente, a ler, a ler estes pensamentos, dichotes e ditos, até ao fim.

P.S.

Desculpem este POST-SCRIPTUM, mas impõem-se explicações suplementares, dado o que aconteceu posteriormente à conclusão dos meus ditos inspirados pelas reflexões do Ernesto Leandro.
Tínhamos pensado convidar alguns tabuacenses, para acrescentarem algo ao que tínhamos escrito.
Por mim, lembrei-me de convidar os nossos conterrâneos e meus grandes amigos Aida Baptista e Osvaldo Branco Ribeiro, emigrantes como eu, mas muito e cada vez mais arreigados à Terra Natal.
O Osvaldo Branco Ribeiro emigrou para o Brasil conjuntamente com pais e irmãs. No Brasil estudou, mas, devido aos seus escritos que, pelos vistos, não agradaram ao governo dos coronéis então no poder, foi expulso da universidade. Acabou por regressar a Portugal e daqui partiu para a Suíça, onde vive há trinta anos e é funcionário da Cultura nesse país.
Aida Baptista emigrou para Angola, ao colo da mãe e às cavalitas do pai, com um aninho de idade. Em Benguela enraizou, viveu, cresceu, estudou, se fez mulher, foi esposa e mãe. Até que as vicissitudes da vida a arrancaram do seu viveiro e a devolveram às lusas paragens.
Enviei ao Osvaldo o projecto de livro a que eu e o Ernesto resolvêramos dar o título A PRETO E VERDE, pelas razões acima aduzidas, solicitando que o lesse e escrevesse o que lhe aprouvesse.
O Osvaldo tomou tão a peito o convite que, dias depois, me informou que já escrevera o seu texto e que mo iria enviar por correio electrónico. Abri o correio, abri o anexo, procurei o texto e que encontrei? Duzentas e duas reflexões, tantas quantas as que o Ernesto Leandro fizera. Li, gostei e logo pensei que nascera um livro de reflexão a várias mentes.
Por sua vez, o Paixão Lima, nosso amigo e companheiro da estroina na infância e na juventude, correspondendo ao convite do Ernesto Leandro, concedeu reflectir tantas vezes quantas as que cada um dos três já reflectira: duzentas e duas, que é um número mágico (não me perguntem porquê, que eu de magia não percebo patavina), e forma uma capicua, concedamos, interessante.
Aqui chegados, eu que havia pensado pedir umas palavrinhas à laia de prefácio à nossa conterrânea e querida amiga Aida Baptista (cronista de mérito, como bem o demonstra nos seus dois livros de crónicas editados por Edições Minerva Coimbra – Passaporte Inconformado e O Chão da Renúncia – bem como no livro Entre Margens de Afectos, este escrito em parceria com Gabriela Silva), tratei foi de ousar e ousadamente desafiá-la a emparceirar connosco. Convidei-a a verter para o papel duzentos e dois textos reflexivos, o que lhe apetecesse e saísse, para fechar com chave d’ouro este inopinado e desconcertante concerto de gente que viu pela vez primeira a luz do dia em terras de Tabuaço, concelho românico e romântico do Douro Vinhateiro, património da humanidade.
Falta assinalar (last but not the least) um sexto elemento do grupo, igualmente de peso, igualmente ilustre tabuacense, igualmente duriense de lei, homem de leis, o Armando Gomes Leandro que, por amor a Tabuaço e à sua gente, se prontificou a fazer a abertura deste livro a vários títulos inesperado. Nascido por obra e graça do espírito luminoso do Ernesto, logo foi secundado pelos restantes membros da trupe.
Eis como um magro livrinho - A PRETO E VERDE – foi engordando até se transformar nesta luzidia obra com o sugestivo título: O QUINTETO (OU SEXTETO?) ERA DOURO.
Os seres humanos pensam e a obra nasce para bem da humanidade. Este é sempre o imanente e profundo propósito de quem escreve e dá a conhecer o que escreve. Este é o propósito destas seis cabeças nascidas em Tabuaço, Alto-Douro, Portugal, algures no Planeta Terra, em pleno século vinte, e que pretendem continuar a viver, a dar cartas e a dar que falar, século vinte e um adentro, por muitos e bons anos.
André Moa
Apontamentos anticancro 20
«Os microtumores não podem evoluir para cancros perigosos sem criarem uma rede de vasos sanguíneos que os abasteça. As novas células cancerosas que alastram par o resto do organismo – as metástases – só constituem perigo se, por sua vez, conseguirem atrair novos vasos sanguíneos. Os tumores primários geram metástases, mas impedem que estes territórios distantes se tornem demasiado importantes. Para isso produzem outra substância que bloqueia o crescimento de novos vasos sanguíneos (o que explica a razão de um crescimento repentino das metástases, após a excisão do tumor primário)».
Do livro «Anticancro – um novo estilo de vida» de David Servan-Schreiber.

[1] Ernesto Leandro e André Moa escreveram, em parceria, o livro de poesia: TABUAÇO DOUR(O)ADO – CANTATA A DOIS, editado em 2007 pela Câmara Municipal de Tabuaço.

4 Comentários:

  • Às 26 de junho de 2010 às 08:34 , Blogger Maria disse...

    André
    E onde encontrar o dito livrinho?
    Diz-me porque já estou com água na boca.
    Estou a precisar de mais alimento para o espirito, já que o corpo se contenta com pouco.
    Já tenho o livro do David Servan-Schreiber. Está à espera que acabe dois Saramagos, uma Inês Pedrosa e a biografia (mais uma) do Saramago.
    Beijinhos
    Maria

     
  • Às 26 de junho de 2010 às 11:18 , Blogger Laura disse...

    O Quinteto era de ouro e nós sabíamos...sabíamos sim. Vindo de amigos tão queridos, nem que fosse de cobre,de latão, todos gostaremos de vos ler!...

    Só que a nina não é abonada para livros. Um dia, alguém do grupo me poderá emprestar os eu, prometo entregá-lo direitinho, limpo, e lido até ao fim!...
    Um beijinho a cada um acompanhado de um abraço apertadinho!...
    laura

     
  • Às 26 de junho de 2010 às 20:25 , Blogger Andre Moa disse...

    Querida Maria e querida Laura,

    Calma. O tal livrinho - O Quinteto era Douro - ainda não foi editado. Podeis lê-lo aqui, aos bochechos, pois que para isso é que começámos a editá-lo no blogue. Já sairam dois intróitos. Faltarão três. Nós somos assim: até nas entradas (nos intróitos) somos fartos: entramos, entramos, entramos, entramos, entramos (e vão cinco) e nunca nos fartamos. Que vocês também não se fartem de nos irem lendo aos pouquinhos. Estou bem ciente de que não. ehehehehehe. Só depois das tais cinco entradas é que começarão a ser servidos os pratos: 202, cada um com cinco confecções diferentes. É fartar, camaradagem!
    Abreijos
    André Moa

     
  • Às 27 de junho de 2010 às 09:53 , Blogger Osvaldo disse...

    Caro irmão;

    Atè eu já estou curioso para ler o livro!!!.

    Mesmo se já o li... deve estar muito bom. não tivesse ele o gosto do mosto que se extrai do suor do xisto em tardes de verão nas nossas sagradas vinhas.

    Um abraço e vê lá se respondes aos mail's que te tenho enviado!...

    Osvaldo

     

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