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sábado, 11 de dezembro de 2010

UMA VIDA EM VERSOS COM REVERSOS - AOS SETENTA só SESSENTA DE POESIA





DE GRAU 8
COLECÇÃO GAIVOTA/35SECRETARIA REGIONAL DA EDUCAÇÃO E CULTURA1984


I

DE GRAU 8


TERRAMOTO DE 1 DE JANEIRO DE 1980

(e eu que com outros o vivi dele dou este testemunho)


VI

a chuva não canta
grita

o vento não assobia
berra

a cabeça estala

só o desespero
fala

mas nós
teimosos
aos ombros
transportamos
a esperança que arrancamos
dos escombros

VII

já aqui não moro

habito ao lado

sob este tecto
desconjuntado

onde nos amámos

hoje submergimos

VIII

o passado não morreu
vive no medo
dói na incerteza
de voltar
esta ideia de abalada
esta ideia de ficar
livre da vertigem
desta dádiva
de vida
num deserto verde

IX

cobertor de pedra mal talhada
a casa
passou a ser
beijada pelo luar
ganhou jardins suspensos
e vistas para o mar

tem agora em frente
o Monte Brasil

simplificadas as janelas
perderam o lancil

as escadas cansadas de folia
são um balão amarrotado
no fundo da agonia

a árvore de natal
de luzes espantadas
despeja para a rua
uma alegria envergonhada

X

na mesma rua os risos
das crianças debandaram

foi o terror das casas
aparentes

nas praças contrafeitas nos juntámos

amor desesperado

passámos a viver
em nenhum lado


10 Comentários:

  • Às 11 de dezembro de 2010 às 08:51 , Blogger Zé do Cão disse...

    Ontem foi um dia lindo da nossa existência.
    Que felizes estávamos todos.

    Moa, a minha "Dona" adorou a valiosa prendinha de Natal que me ofereceste, tendo guardando e lugar destacado a dedicatória.
    Um apertado abraço e que a nossa presença no Apeadeiro, fosse para entrar no comboio e não o fim de viagem

     
  • Às 11 de dezembro de 2010 às 11:26 , Blogger Maria disse...

    Querido André
    Dia 7 houve um Tornado em Tomar. Casas inabitáveis, arvores desenraízadas, um infantário destruído. Há uma criança ferida com certa gravidade e muitas feridas nas pequeninas alminhas, que nunca irão esquecer. Há gente sem casa e sem dinheiro para a arranjar. Os abalos nos Açores ensinam que tudo se recompõe. E há muitos Açorenos descendentes de Tomarenses. Até a Festa do Espirito Santo é inspirada nos Tabuleiros de Tomar. Assim espero que os Tomarenses ajam como os açoreanos, sem estarem à espera dos de fora.
    Mais uma vez gostei muito do Poema.
    Beijinhos para os 4
    Maria

     
  • Às 11 de dezembro de 2010 às 20:03 , Blogger Je Vois la Vie en Vert disse...

    Querido Guimoa !

    Quando a natureza se zanga, por qualquer razão, é normal que "só o desespero fala" porque é-nós impossível, a nós os homens, lutar contra esta força medonha. (Roubei-te as palavras porque são belas, como o poema) Mas o homem é lutador, arregaça as mangas e volta a fazer o que foi destruído.
    E tu és um exemplo vivo da força do homem. Vi isso ontem e pude confirmar ainda hoje !

    Um grande abreijo amigo
    Verdinha

     
  • Às 11 de dezembro de 2010 às 20:10 , Blogger Andre Moa disse...

    Amigo Zé,
    Um apeadeiro é sempre um lugar de passagem, de abastecimento para, reabastecidos, reconfortados, continuarmos viagem por muitos anos e bons. Ainda bem que a tua "Dona" gostou. Pelos vistos tu não gostaste. Só ela. eheheheheheh.
    As nossas "Donas" são muito sensíveis. A minha acaba de me informar que provou das especiarias de Azeitão que tu nos ofereceste e que ela e a filha apreciaram muito. Eu não almocei em casa e, como sabes, não provo doces. Mas fiquei aguado.
    Obrigado.
    Abreijos
    André Moa

     
  • Às 11 de dezembro de 2010 às 20:12 , Blogger Andre Moa disse...

    Querida Maria,

    Os tomarenses vão tomar Tomar nas mãos e no coração e vão, evidentemente, superar a calamidade que os afligiu. Eu confio. Basta conhecer uma tomarense como tu, paradigma do melhor que os portugueses têm, seja nos Açores, seja em Tomar, seja em Tabuaço.
    Beijinhos
    André Moa

     
  • Às 12 de dezembro de 2010 às 13:06 , Blogger Kim disse...

    Guimoa
    E não passámos a viver em lado nenhum porque tu estás em todo lado, quando não é presencial é em espirito.
    E nós adoramos estar cotigo, mesmo quando vem ao de cima essa terrivel recordação de quando a terra tremeu.
    Grande abraço amigo

     
  • Às 12 de dezembro de 2010 às 20:48 , Anonymous DAD disse...

    Querido Amigo,
    Mais uma boa poemação - que o triste se espiritualiza sendo cantado!
    Foi bonito o encontro em Sintra. Foi bonita a festa da inauguração do exposição.
    Toda a gente estava feliz!

    Beijinhos grandes para todos,

     
  • Às 13 de dezembro de 2010 às 00:46 , Blogger Andre Moa disse...

    Querida Verdinha,

    Com amigos do vosso quilate a rodear-me e com uma mesa tão bem composta, que querias tu? Que desse parte de fraco? Nem pensa! A dar ao dente ninguém me vence. Se estou assim tão magro é da ruindade.
    Abreijos.
    André Moa

     
  • Às 13 de dezembro de 2010 às 00:55 , Blogger Andre Moa disse...

    Caríssimo Kim,

    Como d(EU)s que sou,estou em todo o lado que me procuram, ou, melhor ainda, em todo o lado para onde me convidam. Como aconteceu ontem na Praia das Maçãs. Que dias loucos estes os de ontem e de anteontem.De ressuscitar mortos. Mesmo quando ou principalmente quando a terra treme e muitos de nós sucumbe. Alma até Almeida.
    Abreijos
    Guimoa

     
  • Às 13 de dezembro de 2010 às 00:59 , Blogger Andre Moa disse...

    Querida DAD,

    Tens razão: «gente feliz (ainda que, de vez em quando) com lágrimas», que a vida não se compõe apenas de folia. E quando sublimamos a tristeza, o mundo pula e avança um pouco mais.
    Beijinhos
    André Moa

     

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