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sábado, 20 de fevereiro de 2010

CICLO EMOÇÃO

Ernesto Leandro a declamar


CICLO EMOÇÃO 2

Voltemos à poesia de Ernesto Leandro, ao ciclo emoção, que emoção é com os poetas e com os que o não são, mas sentem a poesia, a beleza, a arte, a vida, a amizade, a solidariedade, o amor.
E cá temos nós hoje um poeta a cantar outro poeta, neste caso Florbela Espanca, num poema de alto lá com ele.
Boa leitura.
André Moa

FLORBELA ESPANCA

No calor da planície alentejana
Ardeste em poesia.
Mais tarde, junto ao mar
De Vila do Conde,
Deste o coração a palpitar
Ao teu admirador italiano
No puro engano
De quem pressentia
Que a dor que te habitou,
Do berço à morte,
Não consentia
Uma entrega em alegria
Continuada,
Depois de consumada
No Tejo
A perca do teu grande amor,
A quem deras, sem pejo
E sem pudor,
O coração apaixonado
Sedento de entrega.
Morreste aí.
A morte física, depois,
Com dis, mês e ano,
Foi uma mera questão estatística.
A tua sorte foi moldada
E malfadada
Por alguém que te encrostou
O génio.
Nunca te libertaste
E tudo deste, a chorar,
Escrava obediente
Da musa impiedosa que encontraste
E nunca te deixou.
Entusiasmaste
Toda a gente que te leu,
Mas tu, indiferente,
Ao não poderes ressuscitá-lo,
Pelas tuas mãos morreste
Na tua única vitória na vida.
Ensinaste-nos
Que viver só importa
Se pela entrega incondicional
For permitida,
Até à eternidade,
A liberdade
No amor em exaltação plena.
Senão, não vale a pena.

Ernesto Leandro

15 Comentários:

  • Às 20 de fevereiro de 2010 às 21:06 , Blogger Kim disse...

    Viver só importa se a vida for feita de poesia. E aqui encontro sempre duas coisas, muita vida e muita poesia. Assim vale a pena Leandro!
    Abraço grande amigo André

     
  • Às 20 de fevereiro de 2010 às 21:43 , Anonymous DAD disse...

    Puxa eu estava mesmo muito concentrada...
    O poema é muito interessante.
    Beijinhos,

     
  • Às 20 de fevereiro de 2010 às 23:43 , Blogger Osvaldo disse...

    Caro Ernesto Leandro;

    Vale sempre a pena e por mais que insistam,...a Alma não é pequena.

    Este poema, que acordaria qualquer alma endormida, sonolenta ou adormecida, certamente tocou Florbela num dos seus momentos de insatisfação literária nas margens de lagos celestes para onde ela se mudou com armas e bagagens e sem deixar endereço, depois da sua inadaptada passagem pelos montes, terras e areias deste cantinho poético algures na Terra.
    Fundamentalista da perfeição literária, Florbela sentiria neste poema um alento de esperança em como ainda se poderá, através da poesia, se construir o que os insípidos teimam em destruir.
    Feliz da língua que tem poetas que tratam por "tu" a sua gramático e num jogo de letras transformam o liquido em sólido poético.

    Obrigado, caro Ernesto Leandro, por nos ofereceres o que de mais belo tem a nossa literatura, que é a poesia,... e que poesia!.

    Um abraço.
    Osvaldo

     
  • Às 20 de fevereiro de 2010 às 23:58 , Blogger Espaço do João disse...

    Para o meu amigo André, apaziguar a sua vida.

    Há se dEUs acreditasse
    Nos conventos do amor
    Sabendo que Ele amasse
    Mesmo que eu me cansasse.
    Sofrendo a mesma dor.

    Se dEus é omnipotente
    Enclausurando o AMOR
    Daquele que está ausente
    Mas o seu amor presente
    Fresco e belo como uma flor

    dEus disse, criei e multipliquei
    Não sofrendo o que sofri
    O que for difícil simplifiquei
    O que for fácil complicarei
    Não deixai para trás - sorri

    Lembrei-me da Florbela
    Mas disso ninguém espanta
    Enclausurada numa cela
    Tão humilde como ela
    O amor até encanta

    Vendo nascer raios de luz
    Pelas grades de minha cela
    pensando que a vida é bela
    Não me surpreende a dor na cruz
    Sabendo que carregarei com ela.

     
  • Às 21 de fevereiro de 2010 às 11:09 , Blogger Laura disse...

    Florbela, a amante assumida, a mulher inebriada de amor que apenas levou coices da vida!A mulher Poeta que soube traduzir a dor e o amor, o desprezo que sentia.
    Florbela, única, mas muito triste, quando me ofereceram um livro sobre ela, desisti, nem a meio cheguei, e as poesias, tristes como a morte!

    Moa, ela também não acreditava na vida depois da morte, vou ver se encontro a Poesia que através de Mediunidade, li numa revista Espirita...
    Sei-a quase de cor, mas sei que tenho centenas de revistas e não vou encontrá-la assim, mais para te dizer de onde saiu etc etc, mas aui fica, pela memória que tenho de a ler, gostei tanto e por vezes dou comigo a declamá-la, só para mim!
    Não a encontrando onde penso estar, tinha-a numa pasta, mas aqui vai e me penitencio se não estiver correcta mas é assim que a lembro, tal e qual..a cena em que ela declama isso através d epoesia, passa-se quando ela lá do lugar onde está, se reviu morta num caixão...



    Revejo novamente a minha cruz
    voltam com ela todos os cansaços
    quem me cortou os pulsos
    doem-me os braços
    e essa morta quem a trouxe
    á média luz?

    Tem faces de mármore
    os pés nús
    por onde dize lá
    foram teus passos
    tens olhos tristes
    puros
    olhos baços

    Essa morta sou eu
    Cristo Jesus

    Ninguém tanto sofreu
    num só momento
    estava viva e soluçava ao vento!

    Trinta anos a vaguear
    quem sabe alguém me viu passar
    a bater, sempre em vão
    de porta em porta...

    e eu era louca
    tornada morta!

    Um beijinho da laura.

     
  • Às 21 de fevereiro de 2010 às 12:19 , Blogger Laura disse...

    Dad, estvas sim, muito interessada no que se declamava ou falava, e, estavas linda como sempre..Abraço apertadinho da laura

     
  • Às 21 de fevereiro de 2010 às 14:11 , Blogger Bichodeconta disse...

    poema magnifico, parece feito prá nossa Laurinha.. Mas confesso que ando com umas saudades do versejar do Moa amigo.. COMO É QUE ENTRO PELA PORTA DAS TRASEIRAS, PRECISO DE FALAR COM O MERETÍSSIMO DE ASSUNTO SÉRIO, MAS A BRINCAR.. BEIJINHO, ELL

     
  • Às 21 de fevereiro de 2010 às 14:24 , Blogger Maria disse...

    Caro Ernesto Leandro
    Mais um poeta, mais um amigo, a encher a sala do nosso André.
    Sem ter veleidades de lhe chegar aos calcanhares (o seu poema é lindo), atrevo-me a mandar-lhe uma coisinha feita aos pés da campa da grande Florbela. Perdoe-me o atrevimento.

    Florbela

    Ao nascer, lhe chamaram Florbela.
    Foi poetisa insatisfeita e triste.
    E ninguém soube cantar como ela,
    O amor que é eterno enquanto existe.

    Passou a vida numa vã procura
    De um amor perfeito sem igual,
    Até a busca se tornar loucura
    E terminar numa manhã fatal.

    Nesse dia, já farta de sofrer
    Acabou com a vida que a matava
    E que ela não sabia compreender.

    Quem foi que te levou Soror Saudade?
    Quem poderá saber quem te chamava?
    Será que encontraste no fim a felicidade?

    2009-06-10

    Um abraço da
    Maria

     
  • Às 21 de fevereiro de 2010 às 15:47 , Blogger Je Vois la Vie en Vert disse...

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • Às 21 de fevereiro de 2010 às 15:49 , Blogger Je Vois la Vie en Vert disse...

    "Um poeta a cantar outro poeta" ! Lindo !

    Nunca li a Florbela Espanca mas pelo que leio aqui, literatura triste, não será bem uma leitura da minha escolha. Sei, vão dizer, a cultura tem que se estender mas não peçam demais a uma estrangeira que já faz um esforço para se manter a par da cultura portuguesa.
    Neste momento, estando bastante abalada pelas imagens que estou a ver sobre a catástrofe da Ilha da Madeira, não consigo encontrar mais palavras para expressar-me. Mas nunca é demais lembrar "nunca deixas para amanhã o que podes fazer hoje", o futuro é tão incerto e mesmo se apetece-me ficar no sossego em casa, vou sair para ouvir um concerto.

    Beijinhos

    Verdinha

     
  • Às 21 de fevereiro de 2010 às 20:14 , Blogger Laura disse...

    Já agora, reparei que os dois Poetas têm barba, acho que vou ter de deixar crecer a minha, ou o bigode, vá lá senão nunca serei como vós.O Moa, barbas lindas, o Ernesto Leandro, barbas, todos elegantes nas fatiotas, assim, barba laurinha, barba...
    Beijinhos mil, laura

     
  • Às 21 de fevereiro de 2010 às 22:37 , Blogger Andre Moa disse...

    Laurinha, eu não sabia,
    - que ignorância me acode! -
    que a fonte da poesia
    era a barba ou o bigode.

    Se não tens pêlo na venta,
    tu não te rales. Co'a breca!
    A poesia rebenta
    mesmo num corpo careca.

    Amanhã vou fazer análises. Na quarta-feira saberei o resultado e o veredicto do oncologista. Até lá, e para satisfazer a Ell e quem já sentir saudades, vou postar mais um pouco da biobibliografia de MOI =(Moa em francês). A Laura chamou a este reservado familiar (esta zona de comentários) O CANTINHO DO POETA. Eu rectifico. Este é o CANTINHO DOS POETAS. E DAS POETISAS QUE SÃO MUITAS E BOAS.
    ABREIJOS.
    André Moa

     
  • Às 21 de fevereiro de 2010 às 23:13 , Blogger Espaço do João disse...

    Caro André.
    Isto cá para nós. vamos ter carangueijo no forno. Eu tenho um môlho especial que se chama:- "veneno do João". Se um dia se proporcionar ou se tiver a direcção da tua casa, enviu-te uma amostra pelo correio. Não há marisco que resista, podes crer. Se achares conveniênte manda-me tua direcção por e-mail e, verificarás que é verdade. < jsousa41@gmail.com > Um forte abraço Velho Lobo do Mar. Resistente de todas as tempestades.

     
  • Às 22 de fevereiro de 2010 às 00:20 , Blogger Andre Moa disse...

    Caro João, se a receita é assim tão boa, pespega-a já aqui, para gáudio e proveito de todo este grupo amigo.
    Obrigado pela solidriedade.
    Um grande abraço.
    André Moa

     
  • Às 22 de fevereiro de 2010 às 07:59 , Blogger Laura disse...

    E venha lá a receita
    práfogar o caranguejo
    numa boa marinada
    mas que não tenha poejo.

    Eu cá por mim vou cozinhá-lo
    em mil vinhos embebedá-lo
    depois crivo-o na peneira
    e ele não solta nenhum badalo.

    Assim bem esmagadinho
    será ainda peneirado
    lavado em águas do minho
    naquele tão bom 'abafado'

    e cum raio ou cum caneco
    temos o Moa curado
    ou ao menos, melhorado
    práguentar mais um tempeco!

    Ó João, mas que raio, quando há algo que sirva para ajudar quem for, não se pergunta se quer a receita, avia-se logo e trás-se em mão pra que todo mundo possa ter a cura do pé prá mão!
    Obrigada mermão lá dos lados do Alentejo, terra de mel e de pão , e também do desgraçado do poejo (que detesto porque nunca provei) ahhhhh..Bom, tenham um dia bom, MOa depois respondo aos teus versos, agora vou áquela rotina de tempos a tempos com a senhora dona elisa.. laura e entretanto deixo abraços a todos os que por aqui cirandam. Laura

     

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