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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CICLO PAIXÃO


Aproveitando-me da amizade, do saber, do humor e da graciosa escrita do meu caro amigo António Paixão Lima, abri um ciclo a que, com a devida vénia, me ocorreu apodar de Ciclo Paixão. Como não há uma sem duas, nem duas sem três, aqui vai a segunda intervenção.
André Moa

«Estava eu posto em sossego colhendo o doce fruto, isto é, saboreando o meu gelado preferido de chocolate com nozes, no meu lugar habitual.
O meu lugar habitual era na restauração dum centro comercial perto de casa sempre na mesma mesa (se possível).
O tempo, por mostrar má cara, não convidava a um passeio ao ar livre.
Assim, à falta de melhor e para ocupar o tempo, achei por bem reflectir um pouco por escrito. Escreve que escreve, o tempo foi passando até que, a determinada altura, a esferográfica por falta de carga, recusa-se a colaborar privando-me do meu instrumento de trabalho. Gesticulando furioso e com gestos largos procuro obrigar a preguiçosa esferográfica a trabalhar mas sem sucesso. Foi, então, que ouvi uma voz de mulher pronunciar suavemente - E se experimentasse esta? Sobressaltado levanto os olhos e deparo, surpreendido, com uma jovem beleza morena a entregar-me, solícita, uma elegante esferográfica branca. Num acto espontâneo aceito a esferográfica com gratidão e volto ao trabalho que me absorve por mais algum tempo. Por fim, por transpiração a mais ou inspiração a menos, resolvo interromper o trabalho. Recolho o fruto do trabalho na pasta e levanto-me da mesa. Ao fazê-lo, reconheço na mesa em frente a jovem da esferográfica em amena cavaqueira com outros jovens. Desactivo a esferográfica e reparo, então, gravada na mesma a palavra Bial, o nome dum laboratório de medicamentos. Aproximo-me da mesa em frente e devolvo a esferográfica à sua legítima proprietária com um obrigado expressivo. Esqueci a ocorrência.
Dias mais tarde, para aviar uma receita na farmácia no mesmo centro comercial, sou atendido por uma farmacêutica muito parecida com a jovem da esferográfica. Na dúvida não me manifesto e faço-me desentendido. Ao solicitar a minha rubrica na receita empresta-me a esferográfica que logo reconheci. Sem me conter pergunto-lhe - Foi a menina que me emprestou a esferográfica no outro dia, não foi? Pois fui - responde-me com uma gargalhada jovial. Reparando no nome de Susana inscrito no crachá da sua bata branca e num gesto galanteador dos anos 60 não me contive que não trauteasse uma canção conhecida: Susana, Susana...- Tu és o meu amor - conclui ela num gesto de garridice divertida e acrescenta - Eu já o conheço. Tenho-o visto andar por aí - Lá isso é verdade. Sou eu e o Santana Lopes - digo eu bem-humorado. Ao retirar-me deixando-a a rir bem-disposta foi então que notei na porta de vidro da farmácia o seguinte dístico: Directora técnica Dra. Susana...Sem conter a minha curiosidade volto para traz e pergunto-lhe: a Susana da esferográfica e a Susana Directora técnica são a mesma pessoa? Pois são e entrei para esta casa como uma simples estagiária - responde-me sem conter um certo orgulho. - Então tenho um problema sério para resolver - digo eu fingindo preocupação. - Qual?! - pergunta ela curiosa. - Não sei como devo tratá-la: como Susana da esferográfica, como Dra. Susana ou como Directora Susana? È um problema muito fácil de resolver - diz-me ela convicta e amável - Trate-me simplesmente por amiga Susana. E assim ganhei uma amiga que me tem sido útil.
António Paixão Lima

Caro amigo António Paixão,
Só por humildade começaste esta tua comovente e graciosa crónica dizendo: «Estava eu posto em sossego colhendo o doce fruto». Qual doce fruto! Tu fruíste foi uma suculenta salada de frutas variadas e gostosas, já para não dizer um pomar extenso e bem recheado. Ele foi gelado, ele foi chocolate, ele foi nozes, ele foi esferográficas, ele foi uma voz de mulher suave, ele foi uma jovem, uma beleza, uma morena que te deixou sobressaltado e surpreendido, ele foi farmacêutica, menina, Susana, ele foi canção a dois, ele foi Santana Lopes pelo meio, ele foi Directora, ele foi sei lá eu bem que mais. Afinal, tudo acabou em amabilidade, amizade e utilidade e não, como cheguei a temer a meio da leitura do teu recheado e bem-disposto texto, numa perigosa congestão. Talvez não venha a despropósito lembrar a recomendação de última hora que uma esposa, preocupada com a saúde do marido prestes a ausentar-se para longe, lhe fez: cuidado com as congestões.
Um abraço
André Moa

6 Comentários:

  • Às 18 de fevereiro de 2010 às 22:41 , Blogger Osvaldo disse...

    Caro amigo Paixão;

    Quando abri este blog do Moa, bem que senti o cheiro da Aspirina.

    Mas com o seguimento de um suculento gelado de nozes com chocolate, ou será o inverso?... o rumo da crónica levou-me para uma mesa de café, que até podia ser o Cisne da Beira, o Tulipa, a Cepa Doce ou até mesmo a antiga tasca do Luis Barradas enfrente ao tribunal. Mas, o raio da esferográfica mudou o rumo dos acontecimentos e lá aparece a bela morena radiosa e jovial a oferecer seus préstimos de bondosa Samaritana para desenrascar uma seringa, desculpa, uma lapiseira (à antiga) e lá deu para continuar a crónica.
    Mas o raio da idade, que nos faz ir mais vezes à farmácia que aos futebóis, tem cincidências do catano. Lá estava a bela morena mais radiosa que nunca, mas sempre Samaritana da humanidade a desenrascar uma vez mais a lapiseira. Mas, e há sempre um mas, de tanto apreciar a esferográfica, não è que o remotivante, jucoso e doce gelado, derreteu e virou passas, desculpa, nozes, ou será que eram avelãs?...
    Bom, agora quem se perdeu fui eu!.
    Vou ter que ir à farmácia... uns comprimidos pra memória e resolve-se o problema.
    Ainda bem que tenho uma filha doutora em Farmácia!.

    Ps- Gostei imenso deste tema que eu intitularia "Crónica de um Gelado de Aspirina" que o que tem de bem escrito, tem de prazer em ler.

    Desculpa a mensagem em tom de brincadeira, mas são coisas de tabuacenses que não param de brincar com as letras. Culpa dos saudosos Dona Amália e do Professor Machado.

    Um grande abraço, caro amigo Paixão.

    Osvaldo

     
  • Às 18 de fevereiro de 2010 às 23:19 , Blogger Espaço do João disse...

    Meu Caro André.
    Voltar ás raizes. Lembrar o passado.

    Colher os frutos na hora certa.
    Ter com eles muitos cuidados
    Comê-los antes de fazer a cesta
    Regá-los muito bem regados
    Com água muito bem fresca

    As árvores dão bons frutos
    Todo o cuidado é pouco
    Podálas, deixando ramos curtos
    Não fazer deles nenhum louco
    Para que possamos obter seus lucros

    Quem não gosta de nozes?
    Ver nelas o seu miolo
    Ouvir simplesmente as vozes
    No estalar dos algozes
    A gritaria de algum tolo

    Toda a fruta bem lavada
    não provoca congestão
    É como o vinho e o melão
    Que mesmo sendo de tostão
    Não provoca mesmo nada.

    Um braço , meu guerrilheiro.

     
  • Às 18 de fevereiro de 2010 às 23:32 , Blogger Paixão Lima disse...

    Para o Osvaldo e joão. Ao prmeiro agradeço a prosa escorreita à tabuacense de gema. Um texto engraçado e com graça. Ao segundo apreciei o poema que é bonito e a referência às nozes, o que denota bom gosto. Nozes são comigo. Um abraço aos dois.

     
  • Às 19 de fevereiro de 2010 às 08:50 , Blogger Laura disse...

    Gelado com nozes quero eu
    mais uma pinta de mascavado
    bem queimado em cima do gelado
    a modos que melado.

    Também tive farmacêuticos
    na minha vida de rapariga
    eram tão qeridos os mafarricos
    que me davam os comprimidos.

    Para as dores de cabeça
    que alguns deles me causavam
    pois era uma ciumeira
    se a outro rapaz me ligavam.

    Morava por cima da Farmácia Boavista
    e houve quem alvitrasse
    que a melhor vista seria
    quando á janela me postasse.

    E por causa de uma esferográfica
    acabaste a tua prosa
    que transformaste num belo momento
    e fizeste três amigas numa só.

    No fim de tudo, valeu a pena
    conhecer a bela morena
    que te fez endoidar
    tão a rapariga era Doutora
    e nem era loura!

    Beijinhos ó Paixão, meu amigo da janelinha enfeitada a manjerico e cortinas iguais às da casa da Mariquinhas, até logo, quando der, ando por aqui..laura

     
  • Às 19 de fevereiro de 2010 às 08:56 , Blogger Laura disse...

    Ah, a Farmácia em Luanda, tinha sempre jovens farmacêuticos em estágio, ou seja, trabalhavam na Ansofar, e eram rodados pelas Farmácias da Companhia, entretanto já esqueci o nome de alguns, morava por cima, no primeiro andar, via-se o mar em toda a sua extensão, o Porto de Luanda, e os grandes trasatlânticos que entravam ali, perto, e havia amizade entre todos, e claro muitos pedidos de namoro seguidos por um não, senão nem respirava, ehhhhhh, como passava as minhas horas livres na varanda, é que antigamente eles passavam de mota, carro, motorizada, o que houvesse, e o apartamento era pequeno, assim, chegava do trabalho blá blá e varanda, eles por vezes quando havia pouco movimento, saiam para fora da farmácia e falavam comigo, laurinha para cá laurinha para lá, anda até aqui abaixo, etc..era lindo a relação que mantinha com todos os lojistas,desde o supermercado ao talho, leitaria, foram anos e anos ali, foi belo recordar-me agora de tudo, e tudo por causa da treta do Paixão...
    beijinhos Moa, e para ti também ó homem da Paixão e da pena que produz belas prosas nem sempre à custa de morenas, alguma loira há-de aparecer..laura

     
  • Às 19 de fevereiro de 2010 às 22:48 , Blogger Andre Moa disse...

    Vim aqui para me aquecer
    â lareira. Bom serão
    animado a valer
    pela Laura, pelo João,

    pelo Osvaldo e Paixão.
    A todos, muito obrigado,
    de todo o coração,
    pois que fiquei encantado.

    Abreijos
    André Moa

    Abreijos
    André Moa

     

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