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quinta-feira, 25 de março de 2010

CICLO EMOÇÃO


Ernesto Leandro - teenager
PROSA POÉTICA

( Para uma grande mulher que já partiu para sempre
e que eu memorizo todos os dias. Foi e é ainda para
mim a segunda maior mulher do mundo e só porque
a primeira é minha Mãe.)

A miséria no sentido etimológico da palavra e a mental em muitos outros, materialmente ricos, causam no poeta um langor entrópico que o remete para longas lucubrações causadoras dos motes que, depois da levedura, são o fio condutor dos seus poemas.
Há bastante tempo que não penso na miséria que sou; de tanto falares naquilo a que chamas " a minha riqueza de espírito", eu, meu Amor, quase que estou convencido (que insuportável vaidade a minha) que sou um poeta; também, que a minha coerência na forma de estar e agir, como dizes ainda, é garantia de estabilidade no nosso amor; repara na contradição deste teu louvaminhar (que é sentido porque dito por ti) com a irreverência, a inquietude, a angústia, a impaciência, a errância que marcaram, de um modo indelével, a minha vida...

O teu amor, o meu amor fizeram o milagre deste apaziguamento íntimo; mas não tenho dúvidas da sua transitoriedade, porque, infelizmente para mim, vai chegar o dia em que o teu cansaço, por tanto desprezo meu pela realidade, te levará à fuga de uma morte precoce.
Para já, o teu corpo e o meu corpo a exsudarem na cama em que nos juntamos quando nos possuímos, numa entrega arrebatadora e brutal, vão adiando esse fim inexorável. Não cries falsas expectativas, meu Amor; não convivo com a mentira, é certo, mas o poeta, vítima duma intermitente auto-punição, denega uma felicidade que tem à mão, sonhando uma hipotética outra adveniente daquilo que ainda não possui.
Guardo na memória, como relíquia em baú, todas as mulheres que conheci e me amaram; também as amei com o arroubamento que conheces... E a ti, minha quinta-essência, continuarei a dar-te tudo, o físico e o espiritual, até quando for possível manter o poeta um pouco adormentado e esquecido da (como eu gostaria que assim fosse, acredita) da infinitude do nosso amor; ao avisar-te dos perigos que corres, só possíveis pelo fatalismo que o poeta arrasta consigo e o consome, com a nobreza de carácter que é meu apanágio, obrigo-me a ser delator de mim próprio; se o não fizesse, não estaria a ser digno de ti.
Como admiro a tua coragem e " temeridade"! Parafraseando um poeta, " a brincares com punhais sem te picares!

ERNESTO LEANDRO

9 Comentários:

  • Às 25 de março de 2010 às 21:29 , Blogger Osvaldo disse...

    Caro amigo Ernesto Leandro;

    Este poema a que eu chamaria de "Crónica de um Poeta Delator", só vem confirmar que quando se nasce poeta, não há letra que não ceda aos seus encantos literários para que com mais letras, estas se transformem em palavras que definirão frases que darão o sentimento poético do autor. E é neste momento que o poeta revela e desnuda a metamorfose que o separa do mortal, porque um poeta nunca morre.
    Lembro em 2005 eu ter definido um poeta com esta frase no blogue do nosso amigo Gustavo de Almeida, Ars Lusa;

    "Poesia" é o resultado do eterno conflito entre a ousadia e a timidez. É a loucura da expressão comandada pelo coração. A Poesia é o resultado de um abrupto rebentamento vulcânico que explode na solidão da montanha corporal e se acalma ternamente na descente doce e emotiva quando se esvazia na ponta dos dedos dos poetas.
    Ser poeta não é ser louco, é ter a capacidade de exprimir sem magoar a "dôce loucura".

    Uma vez mais repito o que disse antes e revejo nesta minha frase, o poeta Ernesto Leandro, o poeta que com seu estilo agreste, dôce e nostálgico, brinca com as letras para formar belas palavras.

    Um abraço, caro amigo e conterrâneo Ernesto e um abraço, irmão Moa por nos proporcionares, com a publicação desta literatura nascida nos bosques do Lago, descobrirmos melhor os nossos poetas de eleição.

    Um abraço aos dois.

    Osvaldo

     
  • Às 26 de março de 2010 às 11:54 , Anonymous DAD disse...

    Como é que tu não baratinarias as mulheres se para além de um bom poeta eras mesmo um grande borracho?
    Estás lindo nesta foto!

    Beijinho ao amigo e ao poeta!

     
  • Às 26 de março de 2010 às 13:20 , Blogger Maria disse...

    Amigo Ernesto
    Que linda carta de amor e saudade! E ainda o Pessoa diz: "Todas as cartas de amor são rídiculas"... Qual quê! O amor verdadeiro nunca é rídiculo, é maravilhoso, como a sua carta.
    Ainda bem que sentiu um amor assim.
    Olhe que o amigo era um grande borracho.
    Beijinhos
    Maria

     
  • Às 26 de março de 2010 às 18:03 , Anonymous Anónimo disse...

    Venho despedir-me. Por motivos familiares e profissionais, com uma saída quase certa para o estrangeiro, fico impedido de continuar a minha colaboração. Agradeço a todos a simpatia ao terem-me recebido na família, como agradeço também os muitos comentários favoráveis que eu, de todo em todo, não merecia.

    Votos de muita saúde e alegria e um grande abraço para todos.

    "Façam o favor de ser felizes"

    Ernesto Leandro

     
  • Às 26 de março de 2010 às 18:07 , Blogger Laura disse...

    Para começar, ah, o rapaz era cá um pedaço, um palmo de cara bem lindo, maravilha...

    Depois, é assim, a única coisa que posso dizer é; feliz de quem amou e foi amado assim, porque desconheço e sem mentir, esse amor que poucos falam e poucos sentem ou tiveram! Idealizei o amor de tal forma que, há quem me diga que esse amor, homem nenhum mo dará, porque não existe, logo, pus uma fasquia altissima para ele. Não importa se não o viver neste mundo, mas, sinto que ele existe, logo, entendo o que escreveste, entendo sim...
    Claro que passamos pela vida, amando assim, amando assado. Há sempre mais alguém a quem amar, e a vida é isso, amar enquanto existir o amor!
    Belissima prosa querido Leandro, belissimo texto dedicado a uma mulher! A tua.
    Aquele abraço da laura

     
  • Às 26 de março de 2010 às 20:55 , Anonymous Marta disse...

    Ora então agora que entrei por aqui é que não vejo mais poemas?
    Gostei muito do Blog e gostaria de continuar a ler poesia por aqui.
    Quando puderem, visitem-me também!
    Um abraço grande,

     
  • Às 26 de março de 2010 às 21:05 , Anonymous Maria da Luz disse...

    Parece que cheguei atrasada. De qualquer forma, gostei do que li. Este Blog tem um bom ambiente e parece-me que são muitos amigos que estão a curtir esta de passarem por aqui e escreverem. Sempre que possa vou também passar para vos ler e espero que façam o mesmo comigo pois preciso de encorajamento.
    Um abração,

     
  • Às 26 de março de 2010 às 21:12 , Anonymous Maria da Luz disse...

    Desculpem mas enganei-me no link do meu Blog.
    Vou voltar a entrar correctamente, ok? Desculpem!

     
  • Às 27 de março de 2010 às 10:20 , Blogger Kim disse...

    Ernesto!
    Adorei esta forma de amar! Sublime!
    Pena a ausênsia que se vai seguir.
    Um abraço

     

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