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segunda-feira, 15 de março de 2010

CICLO PAIXÃO







Rufus - o maior cão do mundo - Lira - a cadela salvadora -

RUFUS E LIRA
OU
OS CÃES DO PAIXÃO

Recebi do Paixão Lima o texto que segue em que ele chora a perda do Rufus e presta homenagem à Lira que um dia lhe salvou a vida.
A mim, que não morro de amores por cães, resta-me desejar paz à alma canina do Rufus e longa vida à Lira.
André Moa

«Tenho uma cadelinha de dois palmos, de cor preta, de barbela branca e com a ponta das quatro patas também brancas. Parece, por vezes, uma cabritinha acabada de nascer. Não pára quieta um só instante como se tivesse bichinhos carpinteiros. No seu andar apressado como quem anda sempre atrasada, não dá descanso às suas pantufinhas brancas que com graça move sem parar. Muito medrosa e tímida, é de raça pura rafeirinha e chama-se Lira. Não sendo um coala ou ursinho de brincar, parece ser também um bichinho de peluche preto e branco de olhos dourados e expressivos. Foi um presente da minha Filha num certo Natal.
- Pega lá Pai! Para esqueceres o outro! E põe-me no colo a Lira ainda criança.
O outro era o Rufus. O maior cão do mundo. Pesava mais de sessenta quilos de músculos e potência. Felizmente era manso. Mandei construir uma casota de madeira revestida a zinco para ele e, contrariado, fui forçado a prendê-lo com um cadeado de ferro para lhe limitar o espaço e proteger, assim, as plantas que a minha Mulher tanto prezava. Para poder transportar o Rufus XXL, no momento de trocar de carro, optei por uma carrinha espaçosa. O Rufus adorava andar de carro na mala da carrinha, que ocupava totalmente. Ofereceram-me o cão ainda cachorrinho e ele foi crescendo, crescendo até se transformar num autêntico T.I.R. difícil de manobrar.
Certa vez, encontrando-me sozinho em Tabuaço no meu velho casarão (ainda não tinha construído a casa nova), fui acordado de noite por ruídos esquisitos que me pareceram passos e vozes abafadas. Não sendo particularmente medroso, não deixei, mesmo assim, de sentir um frio arrepiante pela espinha acima. Como os ruídos continuavam sem parar, de ranger de degraus de madeira e de portas a bater, levantei-me de foguetão tomado de algum pânico. Fui a correr buscar o Rufus. O gigante, com soberana indiferença, deita-se à porta do meu quarto como guarda sentinela. Dormi o resto da noite completamente descansado.
Certo dia, ao afagar o Rufus, notei um nódulo no pescoço. Tive um mau pressentimento. Feita a biopsia, confirmou-se o diagnóstico mais sombrio. Era um linfoma maligno e dos mais agressivos. Não tinha mais de seis meses de vida. Foi um grande choque para todos. Toda a família chorou. Quando se aproximava o fim e o seu sofrimento era visível e insuportável, o veterinário propôs-nos pôr-lhe termo à vida. Depois de uma sentida cerimónia de despedida, o Rufus partiu para não mais voltar. No momento da execução, abracei, comovido, aquele pescoço enorme e pedindo perdão beijei-o no focinho. Não sofreu nada, afirmou peremptório o veterinário.
O Rufus morreu! Mas eu morri também um pouco com a sua morte. Jurei, a mim mesmo nunca mais ter cães. Um juramento falso, resultante do desgosto enorme que senti e que ainda hoje perdura. Agora tenho a Lira.
Sempre gostei de cães, como adoro os lobos. Os pais de todos os cães.
Para acabar este testemunho sentido aos nossos amigos de quatro patas, vou relatar um episódio revelador do relacionamento harmonioso entre os homens e os cães:
Andava a passear a Lira pela trela cingida ao seu débil corpo, quando sou atacado por um enorme rottweiler. Só tive tempo de pegar nela ao colo. Quando sou derrubado pelo monstro soltei a Lira e gritei-lhe que fugisse, já que me sentia incapaz de a proteger. Qual não é o meu assombro quando reparo que a Lira à solta, em lugar de fugir, resolve, como amiga solidária, enfrentar o feroz animal. E fê-lo, com uma ferocidade inacreditável e incompreensível, para quem é tão tímida e assustadiça, que até dos foguetes e da trovoada tem medo. Costas com costas, ambos lutámos bravamente como os guerreiros antigos. Se tivéssemos de morrer, então morreríamos juntos. Felizmente o dono do rottweiler conseguiu dominar o animal e fomos salvos. Quando peguei na Lira ao colo, verifico preocupado que está toda ensanguentada mas feliz. Não pára de me lamber a cara toda satisfeita e orgulhosa e segreda-me ao ouvido com convicção: - Estás a ver?! Se não fosse eu, não te safavas!»
Paixão Lima

8 Comentários:

  • Às 16 de março de 2010 às 08:07 , Blogger Laura disse...

    Ora biste, biste ó Paixão? biste como sendo pequenina a Lira marimbou-se para o medo e só pensou no dono que a amava e toca a dar nas trombas ao atrevido rottweiler, acho que ele aprendeu a lição e tu aprendeste que o seu amor é único, infinito e jamais te iria deixar numa situação dessas entregue ao teu destino!
    O Rufus aguarda-te no mundo para onde fores, porque Deus nunca nos afasta dos que amamos, sejam animais ou não! Vais ver que quando lá chegares, porque sabes muito bem que vais mudar de mundo, um dia, ele estará lá feliz, aguardando o dono amigo!

    Tenho também esse amor pelo Shaka, rottweilwe traçadod e Labrador, tem a ruindade do pai e a mansidão da mãe, e como veio cá para casa com dias, imagina que sou a mãe dele e tá dito, é um ciume doido dos miudos quando me abraçam ou se atiram para a minha cama, salta logo para o meio tentando desvia-los para ficar a meu lado e vai sempre rosnando até amedrontar, mas não morde, na rua; que não se cheguem perto de mim, ele está na varanda, e pobre de quem tiver de passar por perto enquanto eu vou ao supermercado ou para o carro, é o cala-te...ladra, credo...conhece o barulho dos carros da casa, temos as traseiras do prédio, ele está na varanda de onde sabe que o carro chegou, depois corre doido as escadas e fica na porta para saltar quando entrarmos, é lindo o amor dele! É lindo o amor que todos os cães dedicam aos donos, mesmo quando muitos são maus para eles... O nosso dizemos-lhe que é um sortalhudo porque come bem, até o chamamos para sentar na mesa quando queremos brincar com ele, senta-se na cadeira e fica quietinho, não tira nada do prato se não dermos licença... pode babar-se com o desejo de comer o que tem na frente, mas, aguarda...
    Bom já vi que o Moa , segundo ele me disse; não quer ser escravo de animais,a té tem razão, é preciso levá-los á rua, dar-lhes banho o shaka tomou banho anteontem com champoo cheiroso, ele não gosta, mas depois sai limpinho, corre abana-se e mostra-nos que cheira bem e vê o nosso agrado... é Moa, dá trabalho ir á rua, veterinários despesas, enfim, mas, o seu amor compensa!
    Um abraço apertadinho a todos, da, laura

     
  • Às 16 de março de 2010 às 08:33 , Blogger Zé do Cão disse...

    Porque será?
    Já tive cães dedicados, lindos, agora talvez por impaciência, não os tenho. Prefiro estar só com a minha "Dona". Saímos muito e não desejo encargos. Afinal nem um canário tenho.
    Porque será? Que quando passo numa certa Avenida de Setúbal, passei a deitar o olho a uma certa livraria, que se encontra mesmo a um cantinho?

    Amigo Moa, um abraço e força...

     
  • Às 16 de março de 2010 às 10:12 , Blogger Maria disse...

    Amigo Paixão, que paixão de história! Eu adoro cães e sempre os tive. Sofri muito com a morte de dois deles, e quando morreu o terceiro, jurei não ter mais nenhum. Há doze anos, numa feira, vi uma bolinha de pelo castanho escuro, olhos vivos, que se aproximou de mim a pedir brincadeira. A senhora perguntou-me se eu o queria. Esqueci-me da jura. Hoje vive comigo, está velhote, é esperto que se farta, e eu e o João não conseguimos imaginar a vida sem este rafeiro que nos adora. Chegou agora da rua com o dono, e está a olhar para mim como se soubesse que estou a falar dele. Chama-se Nabão, como o meu rio. É gordo, comilão e dorminhoco, sabe ler nos meus olhos a tristeza e a alegria.
    Cães, amigo, só pedem e dão amor.
    Obrigada por mais esta linda história.
    Beijinho meu para si e beijinho canino do Nabão para a heroína Lira.
    Maria

     
  • Às 16 de março de 2010 às 14:20 , Blogger Paixão Lima disse...

    Senhoras e Senhores,
    Tudo o que começa, acaba. O ciclo Paixão terminou hoje. O ciclo encerrou. Para obras?! Quem sabe...
    Agradeço a todos a benevolência e a tolerância com que fui lido e comentado. Foi uma experiência nova de que gostei e que me enriqueceu. Não quero dizer com isto que o cordão umbelical foi partido. Nada disso. Vou continuar a comentar neste e noutros blogues, se tanto me fôr permitido pelos respectivos administradores. Gosto mais de comentar que ser comentado, o que é normal.
    Um obrigado a todos.

     
  • Às 16 de março de 2010 às 16:46 , Blogger Andre Moa disse...

    Fui apanhado de surpresa. amigo Paixão, por esta tua decisão que respeito, evidentemente, mas que me deixa, no mínimo, perplexo. Agora que já estava habituado à tua colaboração semanal é que te deu a filoxera? Eu sei que é a doença mais temível no Douro, mas pensava que só atacava as videiras e não os durienses de cepa rija como tu. Como sei que és republicano e não és rei, espero bem que voltes com a palavra atrás e depressa para regalo de todos nós. Tá? Só palavra de rei é que não volta atrás, não é? Repensa bem a tua posição e não nos deixeis cair, senhor meu, na fome dos teus escritos tão apetecidos.
    Um abraço muito grande, amigo Paixão.
    André Moa

     
  • Às 16 de março de 2010 às 19:51 , Blogger Laura disse...

    Paixão!

    Já'gora era o que mais faltava, homessa, ques'cabidela, ó balha-me Santa Ingrácia, atão isto é assim; sem mais nem menos deixa o pessoal preso plas órelhas, ora,se há alguém que tem de levar um abanão dos bons és tu ó Paixão. Já'gora!
    Cala-te lá, cala-te 'pena'(lápis, esferográfica o que for) que escreves sob ordens do dono mas nem lhe devias obedecer! Como sabes que digo o que penso e escrevo o que penso, logo, faz favor de ler todas as letras que prá'qui vão! Imbora vais mas é nada, mas é nada, nada noves fora zero! Isso querias tu, primeiro deiixas-nos com água na boca e ós depois levas a bilha e tudo, nánaninánão! Não deixo, e como dizem todos os que gostam do espectáculo; Bis, Bis, Bis, Bis, Bis! e tá dito...

    Pessoal vamos Bisar no paixão!...
    Falou a laurinha e ela quando fala,...ahhh sabes como é, são ordens!

    Mais Paixão
    Mais Paixão
    Mais Paixão!

     
  • Às 17 de março de 2010 às 17:09 , Blogger Bichodeconta disse...

    Como eu entendo o sofrimento dessa perda, e a homenagem á grande amiga de quatro patas que lhe salvou a vida..Magnifico, parabéns ao autor .
    Abreijos, Ell

     
  • Às 17 de março de 2010 às 19:05 , Blogger Laura disse...

    Mais Paixão pedi eu
    mais Paixão pede o Moa
    mais Paixão do Porto
    à Madragoa!

    Mais Paixão para escrever
    que o homem nem pensou
    no que foi dizer
    e aos arames nos levou.

    Querias sair daqui
    assim pla porta detrás
    esqueceste que entrando aqui
    jamais daqui sairás!

    Paixão ó bom amigo
    que entraste no meu coração
    agora deu-te pra isto
    ias embora sem mais não.

    Não aceito não aceito
    diz a laurinha a gritar
    isso tem lá algum jeito
    Paixão tens de voltar.

    Agarra na tua pena
    solta odes a Camões
    ou ao deus dos foliões
    mas não nos deixes assim ficar.

    Se precisares de deixas
    ou de ajuda a versejar
    podes contar aqui comigo
    estou pronta a começar.

    Tu dás prosa a valer
    eu cantarolo por ali
    os dois vamos escrever
    algo que valha a pena ler.

    Paixão meu bom amigo
    meu vizinho da janela
    nas meias noites de treta
    ouve aqui a rapariga

    Que só pede ansiosa
    uns escritos de vez em vez
    nem precisam ser semanais
    e tu voltas outra vez!

    As orelhas não te queimam ó moço? vá lá..Abraço apertadinho da miuda das resteas!

     

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