SEJAM MUITO BEM VINDOS A ESTE BLOG!--------ENA!-- TANTOS LEITORES DO MEU BLOG QUASE DIÁRIO! ---ESTA FOTO É UMA VISTA AÉREA DA MINHA TERRA,-TABUAÇO! UM ABRAÇO PARA CADA UM DE VÓS! -ANDRÉ MOA-

quarta-feira, 31 de março de 2010

CICLO PAIXÃO



O PENEDO DO MOCHO
O dia rompera cinzento e frio, naquele mês de Dezembro. O Chico da Cotovia acordara cedo, como era seu hábito e já há muito que abandonara o leito. À claridade frouxa da luz da candeia de azeite pendurada num pequeno pau fixo à parede de xisto do casebre, retirou do «lume» o pote de ferro de três pés onde repousava o caldo de legumes feito de véspera. Preparou-se para «matar o bicho», num ritual que se repetia todos os dias. Encheu de caldo uma velha tigela de grandes proporções e «adubou» o ingrediente com uma grossa fatia de presunto. Puxando do bolso de traz das calças de cotim a sua inseparável navalha de «ponta e mola», começou a cortar fatias de pão de centeio duro, que lançou na malga, para tornar o caldo mais consistente. Enquanto se alimentava, ia pensando: - Não há dúvida! Com o frio que está, vai ser um bom dia de caça. O Chico vivia da caça e da pesca, que vendia com algum proveito. Considerava-se um profissional. Espreitando pelo postigo do casebre verificou, com satisfação, que uma forte geada cobria os campos e um espesso nevoeiro vindo do rio, escondia o horizonte. As condições atmosféricas não o preocupavam. Sentia-se favorecido pois, a coberto do nevoeiro, poderia aproximar-se das presas que pretendia abater. Não havia risco de se perder pois, ninguém como ele, conhecia aqueles montes e vales. Desde criança que calcorreava aqueles sítios a pastorear o rebanho de seu pai. Agora já não há rebanhos por escassearem os pastos e o negócio já não render. Confortado com a tigela de caldo quente, preparou-se para a expedição venatória. Calçou as botas de pneu de cano alto e, por cima da grossa camisola de lã já muito gasta, vestiu a samarra de gola de pele de raposa que comprara no ano anterior na feira de Moimenta. Antes de partir, e por medida preventiva, colocou à cintura, uma pequena cabaça contendo alguma aguardente de boa cepa para aquecer o ânimo. Com a «espanhola» ao ombro, parte esperançado num proveitoso dia de caça.
Após duas horas extenuantes de caminhar sem parar, num sobe e desce constante, senta-se para descansar num pequeno muro divisório meio derrubado. Enquanto bebe um trago de aguardente, põe-se a reflectir: - É estranho! Não consegui aperceber-me de qualquer movimento ou ruído. Nem o piar e o esvoaçar de uma ave. Reina um silêncio invulgar. Nem as folhas das árvores se mexem. Este maldito nevoeiro está cada vez mais denso. Como se fosse um manto invisível que pousa nos nossos ombros e nos deprime e sufoca. Cada vez se vê menos. Até parece que o tempo parou e tudo está morto. Nunca tal vi! Por momentos o Chico sente um arrepio pela espinha acima e os cabelos do cachaço ficarem hirtos como a tropa em sentido. - Mas que é isto?! - pensa para consigo. Até parece que estou com medo. - Qual quê! - murmura para se animar. - Se não tenho medo de nada! Até estou armado! - E bate com a mão na coronha da espingarda como a tranquilizar-se. De súbito, o seu fino ouvido percebe um gargalhar longínquo de mistura com sons musicais indefinidos. Movido pela curiosidade, levanta-se e de arma engatilhada penetra cauteloso no nevoeiro. Vai avançando lentamente e pisando o terreno com cuidado. Aproximando-se do ruído insólito, apercebe-se que as gargalhadas são de mulheres. O facto anima-o a continuar. É um bando de «andorinhas» que se diverte, conclui aliviado. Nota, contudo, que pisa terreno desconhecido. Não reconhece os velhos trilhos. Sente-se perdido, confuso e inquieto. O gargalhar musical ora está longe ou perto, atrás ou à frente. Tomado de pânico, salta valados, escala muros e corre, corre em desatino. Perde a espingarda pelo caminho. De repente, sente-se como suspenso no espaço e só tem tempo para se agarrar, com desespero, ao tronco de uma velha oliveira. Como por encanto, o nevoeiro desaparece subitamente e vê nitidamente à sua volta. Reconhece, com assombro, o local. Encontra-se no alto do desfiladeiro do atalho, sobranceiro ao rio. Um passo mais em frente e seria a queda no abismo. Ao fundo, o rio curva para a direita contornando o penhasco e as suas águas alargam-se. Uma língua de areia forma uma espécie de praia. No leito do rio, como uma ilha, ergue-se um grande maciço rochoso, o penedo do mocho.
Paralisado de espanto, o Chico contempla um espectáculo singular. No areal, um bando de mulheres jovens, mal vestidas de negro, descalças e semi-nuas, dançam com frenesim um ritmo alucinante e sincopado. Gesticulantes e aos gritos inumanos as dançarinas, desgrenhadas, desafiam o Chico a entrar na roda, proferindo obscenidades e exibindo, desavergonhadamente, as suas intimidades. É então que o Chico, ao desviar o seu olhar, descobre o tocador de flauta no cimo do penedo do mocho. Mas que tipo estranho aquele! Só com um amplo barrete vermelho a esconder-lhe a cabeça, bamboleia o seu corpo nu, alto e branco como a cal da parede, ao ritmo da música e bate, com violência, os pés na rocha, como a marcar o compasso. Os pés?! O Chico repara, aterrorizado, que o músico não tem pés. Fita o Chico com o seu olhar sanguíneo e com voz de trovão, intimida: ó Chico vem nadar! Trémulo, o Cotovia reconhece estar em presença do diabo. Persigna-se, convulsivamente, e reza a oração dos aflitos. Então tudo se transforma. O dia fez-se noite. À sua volta tudo treme e relampeja. Ouve o bater de asas gigantes e apercebe-se de monstros voadores em seu redor. Sente-se leve e arrebatado pelo espaço e perde a noção da realidade.
O Hipólito da Fonte, que andava à azeitona, nota no areal, meio submerso, um corpo dir-se-ia dum afogado. Movido pela curiosidade, atravessa a ponte do Vau e dirige-se apressado ao corpo caído. Reconhece, com espanto, o Chico da Cotovia com o cabelo chamuscado e sem sobrancelhas. Sem se conter exclama: - Ó Chico que estás aqui a fazer?! Caíste à lareira com a bebedeira?! A gaguejar, o Chico consegue balbuciar com esforço: - não estou bêbado! Encontrei foi o diabo...em pessoa! -. E desmaiou.
Paixão Lima

20 Comentários:

  • Às 31 de março de 2010 às 21:20 , Blogger Je Vois la Vie en Vert disse...

    História empolgante e um pouco assustadora.
    Estava a ler quase na pontas dos pés para não fazer ruído, com medo dos acontecimentos mas fui em frente até ao fim ! Espero nunca encontrar esta personagem, i.é. o diabo...
    Parabéns, Paixão Lima !
    Beijinhos da Verdinha

     
  • Às 31 de março de 2010 às 22:26 , Blogger Andre Moa disse...

    Não sei porquê, amigo Paixão, estava a ler-te e a percorrer mentalmente paragens que permanecem na retina desde a infância. O penedo mais altaneiro no fraguedo do Fradinho, onde as feiticeiras dançavam nuas, nas noites de plenilúnio. Eu e outros,ao mesmo tempo receosos e curiosos, bem olhávamos para lá, plantados na rua de São Vicente, mas as nossas curtas vistas não alcançavam nunca o espectáculo fabuloso. Só aos adultos era dado embebedarem-se com as formas e os gestos sensuais daquelas mulheres ao mesmo tempo belas e perigosas. Eram o diabo em figura de gente para tentação dos homens incautos. No fundão corria como ainda corre o rio Távora. Para se banharem, nada melhor do que o Poço dos Foles, situado um pouco acima do Moinho das Poldras, onde a rapaziada, em bando, se banhava mal o sol aquecia um pouco, os mancebos se lavavam nas vésperas de irem à inspecção e os noivos se enxaguavam para cheirarem menos mal na noite de núpcias. E lá está a Ponte do Vau, uma das poucas passagens "civilizadas" para a outra margem do Távora.E até para o teu personagem retiro da memória um rosto que assenta que nem uma luva no do Chico Cotovia. O mesmo rosto que vejo sempre por terra, com uma grande mancha à sua volta, que só abre os olhos quando o sol lhe bate em cheio, e que, ao descobrir o chão molhado, leva a mão ao bolso onde metera a última garrafita antes de se pôr a caminho do rio, a meio da noite, e roga aflito: "deus queira que seja sangue".
    Um abraço.
    André Moa

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 01:09 , Blogger Paixão Lima disse...

    Verdinha,
    Entre outros atributos, que são muitos e reconhecidos por todos, louvo a sua espantosa coragem. É uma mulher de armas. Conseguiu ir até ao fim da jornada sem vacilar. Sabe que a criatura medonha retratada no conto, tem vários nomes e vários disfarces? Ninguém está livre de o encontrar ao virar da esquina. Se o encontrar, mesmo disfarçado com pele de cordeiro, recomendo-lhe que faça e sinal da cruz e reze. É remédio santo.
    Beijinhos para a Verdinha (loirinha).

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 01:13 , Blogger Zé do Cão disse...

    Um grande abraço

    Uma Santa Pascoa, bom amigo

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 02:14 , Blogger Paixão Lima disse...

    Caríssimo Moa,
    Gostei do que dizes e principalmente da forma como o dizes. És um romântico, graças a d(EU)s. O Poço dos Foles já não é poço. Foi despromovido. Quando da construção da Barragem, o aterro e o desvio do caudal do rio no Vilar, reduziu drasticamente a sua profundidade. Era o poço da minha preferência para refrescar o corpo e revigorar a alma. Tomava banho naturalmente e da forma mais natural. Calções e outros apetrechos eram modernices que só serviam para atrapalhar. Mas que grandes banhocas que eu dei. O Moinho, julgo que ainda por lá está, tal como era. O tempo parou nas Poldras. Quanto às bruxas, já não existem, mas que andam por aí, lá isso andam. Quanto ao diabo, esse existe um pouco em cada um de nós, graças a d(EU)s. Mas está pobre, coitado. Arruinado de todo. Só tem dívidas. Não passa dum pobre diabo, sem crédito e que caiu no descrédito. Qualquer dia vai preso.
    O Chico da Cotovia, podia muito bem ser o Condesso, que a caminho do moinho e já de madrugada, com o seu grito de guerra de «viva a rambóia», espantava os pássaros, passarinhos, passarões, aves de gaiola, cucos e melros (todos noctívagos), e que povoavam as noites de assombro de Tabuaço, para perdição das almas.
    VADE-RETRO! SATANÁS!
    Um abraço.

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 02:36 , Blogger Paixão Lima disse...

    Ó Moa, não resisto em felicitar-te pela expressão final do teu comentário: «deus queira que seja sangue». Mas que estrondosa gargalhada eu dei no silêncio da noite. Até assustei a minha mulher que me gritou: Cala-te! Deixa-me dormir!

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 15:16 , Blogger Paixão Lima disse...

    Meu caro Moa,
    Vou utilizar este espaço para falar contigo. Há falta de comentários, comentamos nós. É o que se chama fazer a festa e deitar os foguetes.
    Acabei de ler o teu email sobre o livro do Joaquim e ainda relativo à questão dos pães. Adorei o teu ar contrito e de tragédia quando pronuncias suavemente: «Li este email e fiquei pesaroso». Foi sublime. A propósito, vou contar-te uma história semelhante que se passou, há dias, com o Ernesto, num dos últimos telefonemas que lhe fiz. Quando ele me pergunta se estou bem, eu respondo-lhe que nem por isso. Que andava um pouco incomodado com o facto de não ter feito nada há três dias (prisão de ventre). A resposta dele, para me tranquilizar e dar ânimo, é estupenda e surpreendente. Diz ele, com a sua voz grossa e de comando.«Não te preocupes, António. Está descansado que vais fazer...».
    Aproveito para te desejar uma Páscoa à «antiga». Com campainha e romaria. Mais nada. O padre dispensa-se assim como o pagamento do imposto religioso ( o folar e a congora ) lembras-te? Quando oiço falar em impostos fico todo arrepiado. Puxo logo da pistola, como dizia o Goebbels.
    «IMPOSTOS?!» - CREDO EM CRUZ, SANTO NOME DE JESUS!

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 17:10 , Anonymous Anónimo disse...

    Paoxão Lima, irmão

    Quando acabei de ler este teu texto, fiquei mudo e quedo com a criatividade e qualidade do mesmo. És, sem dúvida, um portento na narrativa ficcionista. Como tabuacense, como teu irmão,agradeço a dádiva que nos dás, que faz de ti o maior prosador da nossa terra. Continua, Camilo do século XXI, a deliciar-nos com as tuas narrativas. A geração actual irá orgulhar-se de ti. Não hei-de morrer sem ver uma estátua tua erigida no teu tão querido Bairro Latino, mais conhecido por Fundo de Vila.

    Parabéns e um grande abraço do Ernesto.

    Ernesto Leandro

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 19:19 , Blogger Paixão Lima disse...

    Ernesto, meu Irmão,
    És um lírio! Como diria o nosso amigo Loureiro. E um grande Amigo. Não mereço os teus louvores. Consideras-me o maior prosador de Tabuaço. Como não conheço os outros prosadores de Tabuaço, não confirmo nem desminto. Fico expectante. Quanto à estátua no meu querido Fundo de Vila, é um caso para pensar já que naquele rincão natal não existe nenhuma estátua. Já é tempo de lá colocarmos um mono qualquer (estou no gozo).
    Como os olhos da amizade são estrábicos e sofrem de miopia, só vêem o que querem. Obrigado Irmão, por veres tão mal. Dizes que sou o Camilo do século XXI. Há muitos camelos, isto é, camilos por este mundo, pelo que contesto a veracidade do que afirmas. Mas não sou o maior camilo de Tabuaço, isso tenho a certeza. Pelo menos há um Camilo Tabuacense que recordo, bem maior que eu. O Camilo Alves, por exemplo.
    Um grande abraço, Ernesto. E que tenhas uma Páscoa só com amêndoas doces.

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 22:54 , Anonymous DAD disse...

    Também adorei a história. Dantes ainda tínhamos lobisomens e "medos" para nos assustarem. Agora só temos os políticos que nos metem medo a toda a hora.
    Beijinho grande,

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 23:01 , Anonymous DAD disse...

    Encontrei agora este comentário no blog
    http://ternuraepoesia.blogspot.com/
    e não poderia deixar passar isto sem transcrever e pedir-vos que passem tb por aquele Blog pois o respectivo dono é uma pessoa admirável. Aí vai,
    Ao escritor e poeta ANDRÉ MOA

    Irmão meu

    Através da minha querida Dad, nossa comum amiga, tive a satisfação e o prazer de conhecer o seu blog a que hoje vou expressar o meu sentir, após sua leitura e profunda meditação.
    Não o fiz mais cedo em virtuda da minha ignorância ao penetrar no mundo mágico dos computadores, cuja ciência, quase me ultrapassa. Hoje, ultrapassada essa barreira da ignorância, conhecidos os meandros principais dessa "ferramenta preciosa" , tive uma vontade férrea de me debruçar, atentamente, na leitura da sua "mensagem" a que superiormente intitulou de “Diário de um paciente”. Acredite-me que, com avidez, li e reli todo o seu conteúdo com extrema avidez. Foram páginas que me deixaram a meditar, face à carga e grandeza espiritual nela envolvida, ao seu humor, ao modo como dá vida à vida, ao calor das palavras e o sentido colorido que elas transmitem. Só seres dotados, esclarecidos, fortemente marcados, conseguem alcançar ou ultrapassar metas que não estão ou são acessíveis a todos os mortais que neste mundo labutam na esperança de atingir um futuro, um fim, uma meta mais risonho e coerente.
    A sua mensagem é um alerta, um despertar que orienta e aconselha as consciências mais distraídas, mais negativas, menos floridas, a dar um pouco mais de cor e brilho à vida, para assim lutarem, de coração aberto, contra as adversidades e a ideia de um destino marcado e há muito tempo talhado… Há que saber lutar, há que vencer até o próprio destino!...
    Pelas suas palavras, um Bem-Haja, muito meu, pelo hino de amor à vida que nelas sabe transmitir. Peço-lhe que não pare de escrever pois há sempre um alguém que necessita de meditar e compreender suas palavras, já que, uma só, poderá salvar a vida de um irmão menos iluminado.
    Eu, um eterno sonhador, jovem já bastante corroído pelas primaveras que por mim passaram, que vivi longos ocasos numa África encantadora, atraente e inesquecível, a nossa Angola, aprendi a estender, com humildade, minha mão ao próximo, ao meu irmão, olhando-o somente para a cor do seu coração. Tornei-me, de menino mimado e irrequieto, num ser que hoje se preocupa com o sofrimento alheio no sentido de tentar obter para todos uma solução, às vezes quase sem solução, face ao descalabro espiritual que apresentam.
    Mas, na vida, há sempre um caminho novo e iluminado, que poderá ser alcançado ou desvendado, assim nossos olhos deixem de estar fechados.
    Obra difícil!... Mas não impossível.
    Sou católico, não de Igreja, mas de princípios e de acção, tendo vivido em países onde me habituei a contactar e respeitar todos os seres, todos os credos e todas as políticas.
    Essa minha peregrinação, essa minha entrega, tornou-se para mim uma evidência, após me ter de um estado de coma libertado.
    De regresso trouxe, na bagagem, uma alegria imensa de viver e saber viver esta minha vida que de novo me ofereceram para poder partilhar com os irmãos nesta nova passagem que espero seja ainda longa e frutuosa. Da morte jamais terei receio por ser assunto que não está ao meu alcance resolver… Por isso, penso na vida e no dia de hoje, com o intuito de retirar dela todo o seu sabor, todos os seus frutos deliciosos nunca esquecendo que teremos de plantar para colher.
    A terminar este meu desabafo dedico-lhe com profunda dedicação, esta minha poesia, que fiz a altas horas da noite, inspirado no silêncio profundo que me envolvia, tendo como fundo as águas tranquilas do Tejo, o Céu e as estrelas que por ele estão espalhadas.

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 23:04 , Anonymous DAD disse...

    Vai ao Blog http://ternuraepoesia.blogspot.com/
    tens lá uma homenagem do Pais da Rosa.
    Ainda tentei publica-la aqui, num comentário, mas acho que não consegui.Beijinhos,

     
  • Às 1 de abril de 2010 às 23:05 , Anonymous Dad disse...

    Afinal o comentário acabou por passar.
    Está muito bonito!
    Bjssssssssatodos e uyma boa noite descansada!

     
  • Às 2 de abril de 2010 às 00:43 , Blogger Paixão Lima disse...

    Uma grande verdade minha Amiga Dad. O diabo já não assusta ninguém. Os políticos sim, metem-nos medo porque interferem com as nossas vidas. Totalmente de acordo. Mas então que fazer?! Podemos viver sem a política e sem aqueles que a interpretam mal? Criar-se-ia um vácuo perigoso. Como preenchê-lo? Temos de descobrir uma alternativa que nos permita caminhar no rumo certo. Rumo que não conhecemos. Julgo que o pecado está no «sistema» que se mantém e se vai eternizando no tempo. Sempre em nome dos «superiores» interesses da humanidade. Dos «superiores» interesses nacionais. Dos «superiores» interesses das civilizações. Das civilizações ocidentais, orientais e outras que tais. Tudo em nome da «liberdade», uma bandeira que nos é imposta com um formato e uma cor e como uma verdade dogmática. Que nos permite gritar «sou livre». Um grito que ecoa mas que ninguém compreende. Como se fosse possível uma liberdade, sem uma igualdade efectiva.
    Compreendo o seu desgosto e compartilho da sua opinião e da sua dor. Mas a sociedade foi concebida pelo homem, o animal mais perverso e mais perigoso. Somos animais predadores por excelência, porque somos os mais inteligentes. E a inteligência, minha Amiga, é uma arma terrível.
    Resta-nos aguardar por um milagre, sempre possível.
    Beijinhos Dad.

     
  • Às 2 de abril de 2010 às 10:20 , Blogger Maria disse...

    Paixão Lima
    Quase pensei estar a ler a "Dama pé de cabra" do Herculano. Senti um arrepio de medo. Que bem contado. Anda para aí tanta gente a dizer que é escritor, que me dá pena, ver tão belos pedaços de prosa, serem lidos por meia dúzia de pessoas.
    Parabens, Boa Páscoa e beijinhos.
    Maria.
    Querido André
    Boa Páscoa (seja lá o que isso festeja),para ti e todos os teus. Muitas amendoas para o Luís.
    Beijinhos para ti
    Maria

     
  • Às 2 de abril de 2010 às 11:58 , Blogger Laura disse...

    Bom diaaaaaaa!
    Dad, já tinha enviado um email para o Moa ver a surpresa em pessoa, ehhh, vou lá ver se já lá passaram..este Zé Roque é meu amigo desde a juventude, trabalhou com meu Pai e ainda viviamos por perto em Pretória, conheço a familia toda, logo; um grande Homem, Poeta, prosador, uma alma Gigante como soe dizer-se...
    Beijinho Moa..laura

     
  • Às 2 de abril de 2010 às 12:06 , Blogger Laura disse...

    Paixão; só hoje li com calma este jornal onde aparece o demo em trajes menores! ou seja; de alma despida e mafarricando o convite ao pobre do Chico que nem persignando-se, ajoelhando e balbuciando as orações que a mãe lhe ensinou... não conseguiu afastar o demo e, tomou banho com as mulheres seminuas, arre, e estava a água num gelo, já se vê... acredito que foi ao sair dali, desperto pelo Hipólito que voltou á realidade, o pobre em sonhos fez de tudo, foi à caça, viu mulheres em trajes que os homens sonham, tomou banho e claro, se por artes do demo,deve ter pecado cumó caraças, mas, acordou, (estava á espera que tivesse morrido afogado e fosse verdade o que relatas, apre irmão Paixão, a coisa está divinal) o chico sem sair da lareira percorreu montes e vales, e...chamuscou-se todo.
    Belissimo conto, belissima invenção deste prosador que merece os louros que lhe atribuem!...

    Gostei, muito passeis por Tabuaço, e gostei de ver o Moa a referir-se ao Moinho das Poldras, por ali é tudo selvagem ainda...e nós os do grupo,e stivemos lá todos, felizes, felizes e em comunhão de almas...
    Vá que não encontramos por lá o mafarrico... como diz o outro; vade retro satanás...

    Bonito jornal em prosa.
    Aquele abraço apertadinho da laura

     
  • Às 2 de abril de 2010 às 12:56 , Blogger Paixão Lima disse...

    Amiga Maria,
    Também conheço a Dama pé de Cabra do Herculano. O conto fantástico e macabro, constava do livro de Lendas e Narrativas e que no meu tempo de estudante, era estudado nos liceus. Aproveito a ocasião para lhe pedir um favor. Ainda tenho na retina o seu retrato quando jovem Mamã. É um belo desenho do autor. O João, seu Marido, tem muito talento. Mas parece-me egoísmo, não compartilhar com os amigos, desse mesmo talento, Não falo por mim claro, mas falo por aqueles que, tendo voz, não querem falar. Convença-o a postar nos Alcatruzes da Roda as suas obras de arte mais representativas. Valorizava o blogue e satisfazia a sensibilidade pela arte dos seus amigos, que são muitos.
    Vá lá Maria! Não se acanhe! O homem pode ser o «chefe» da família mas quem manda é a mulher. Obrigado pelo seu comentário amável e amigo. Desejo para a Maria e família uma Páscoa feliz recheada de coisas boas.
    Um beijo.

     
  • Às 2 de abril de 2010 às 14:11 , Blogger Paixão Lima disse...

    Laurinha,
    Gabo-te a coragem e a paciência por teres lido o jornal até ao fim. Vi o vídeo que tiveste a amabilidade de me enviares, sobre o Moinho das Poldras. Conheci aquele lugar no seu estado bruto, agressivo e selvagem. Agora tem muito melhor aspecto. Nem parece o mesmo.
    Agradeço o teu comentário amigo. Boa Páscoa para ti e Família com muitas amêndoas.
    Um beijo e um abraço apertadinho.

     
  • Às 2 de abril de 2010 às 19:22 , Blogger Andre Moa disse...

    Caros amigos, antes de mais, um pedido de desculpas pelo meu silêncio que já fazia um ruído ensurdecedor. Pelo menos aos meus ouvidos, habituados que estão a este fala barato. Estive ontem e hoje até há pouco sem teclado. Ou melhor, sem as vogais no teclado. Mais um descuido e lá se foi mais uma nota preta. No curto espaço de um mês, já é o terceiro teclado que se foi à vida por ter derramado café por cima dele. Consequências "trágicas" de quem come e dorme sobre o aparelho electrónico.
    Muito e bem se tem comentado neste blogue. Obrigado e parabéns a todos. Pelo inesperado, permitam os demais que saliente o do proprietário do blogue da ternura que a DAD para aqui transcreveu.Vou já lá a correr para agradecer, agora que já tenho um instrumento novo e operacional.
    Obrigado, Maria, pelos teus votos de «Boa Páscoa (seja lá o que isso festeja)». Como pode ser verificado, aqui festeja-se tudo. Até o que não se cheira, nem se deseja, nem se abraça. Não há casa ou rua ou avenida mais democráticaa que as de um ateu confesso e convicto. A Dad, então, até uma ressurreição aqui pespegou. Quanto a mim, o que eu festejo na Páscoa é a recordação da minha infância, que era uma festa da alegria e da confraternização com vizinhos, amigos e familiares. E o sol. E a primavera já toda florida. E,,,E,,, E tudo o que os amigos quiserem, que uma coisa é festejar, outra acreditar. E eu sou muito eclético. Abraço tudo: os prós e os contras, os vezes e os revezes da vida, tudo. Com o espírito de quem vai à pesca com o pensamento de que tudo o que vem à rede é peixe. Só na praia é que se separa o peixe da lanterna do tempo dos afonsinos.























    Sana e alegre Páscoa para todos vós, amigos meus.
    André Moa

     

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