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quinta-feira, 20 de maio de 2010

CRÓNICAS NO FEMININO

Jardim Zen
É O FIM DA MACACADA

Ofereceram-lhe uma caixa pelo Natal. Na parte inferior, e por baixo de uma imagem de ondas de areia, lia-se Jardim Zen. Ela não tinha a menor ideia do que se tratava. Abriu a caixa e viu lá dentro um tabuleiro com um quadrado saliente no meio, deixando a toda à volta um espaço livre de uma mão-travessa. Dentro de um saco plástico, areia branca; noutro, pequenos seixos rolados; embrulhado num plástico almofadado, um pequeno pote de cerâmica com elementos decorativos orientais em relevo; disposto na horizontal e bem disfarçado, por baixo das pedras e do saco de areia, um ancinho de madeira.
Continuava sem perceber. Foi-lhe, então, explicado o sentido que aquele conjunto de objectos fazia - libertar o stress! Como? Espalhava-se a areia na base do tabuleiro, dispunham-se os seixos aqui e ali, com o ancinho desenhavam-se livremente na areia caminhos por onde se deveria escorrer a ansiedade.
Ela sempre a questionar-se sobre a hora do dia a que poderia entregar-se àquele deleite de não ter um dever para cumprir. Com um sorriso carregado de ironia, foi precisamente essa a pergunta que fez ao amigo que lhe providenciara a oferta. «A que horas é que eu posso brincar com isso?». Ele sugeriu-lhe que o colocasse junto ao telefone. Que sim que resultava, porque enquanto segurava o auscultador com a mão esquerda, podia perfeitamente mexer na areia com a direita.
Entre a marcação de uma reunião, encomenda de uma pizza, alteração de uma consulta médica, um grito ao filho para que se despache no banho, um olá de felicitações a mais um aniversariante e tantos outros diálogos de ocasião, há um jantar que se prepara, uma mesa que se põe, uma máquina de lavar roupa que se programa, num cumprimento de rotinas sem tempo nem espaço para qualquer jardim Zen que se queira intrometer na azáfama do quotidiano.
Nos momentos de maior congestionamento de afazeres, é o papel que lhe serve de jardim Zen, enquanto a caneta lhe massaja os dedos deixando escapar a tensão por entre linhas traçadas ao acaso. Habituou-se, desde muito cedo, a fazer estes desenhos como se a sua mão simplesmente deslizasse sem querer. E os riscos sobrepunham-se, ganhando umas vezes formas angulosas, outras mais arredondadas, intersectando-se nos encontros de ocasião. Surpreendia-se, muitas vezes, com o resultado e pensava que se acrescentasse um toque aqui e ali, uma oblíqua ou perpendicular no conjunto das formas desenhadas, obteria aproximações a muitos dos quadros que já vira expostos em galerias de renome.
Naquele dia, porém, tudo foi diferente. Enquanto falava, o desenho tomou conta da sua mão. E foi aparecendo de forma natural em quadrículas arrancadas às folhas da sua infância longínqua. Primeiro, dois quadrados geminados. Logo abaixo da linha divisória, um quadrado suspenso e apostado na simetria do desenho perpendicular. Depois, outro dueto de quadrados geminados, de forma a que se obtivesse uma figura rectangular igual à primeira. E a mão continuava, numa sequência de mais três quadrados, rematados por um semicírculo. Nesta redoma final, desenhou três figuras sem rosto, sem nome, apenas gente. Gente com quem queria brincar. Colocou-lhes na mão uma pedra. Ah... lembrou-se, não podia ser uma pedra qualquer, mas uma pedra espalmada, daquelas que avançam rente ao chão com uma ligeira pancada do pé. Pouco de cada vez, de modo a percorrer todo o quadriculado do jogo, sem ultrapassar as fronteiras das linhas desenhadas. Começava-se pela primeira casa e, sempre a pé coxinho, dava-se a volta completa empurrando a pedra na ponta do pé. No caso, na ponta da mão, porque foi com a mão que pôs todos os amigos à vez a jogar até chegar a sua. No equilíbrio precário de quem não quer perder, empurrou-os de casa em casa sem fazer batota. Jogou-o o tempo que duraram os telefonemas e virou costas ao protesto de quem achou mal que não se tivesse concluído a série. o jogo da macaca
Chamava-se o jogo da macaca! Nunca soube por que lhe deram tal nome, mas logo que aprendeu a equilibrar-se num só pé, foi dos primeiros que aprendeu. Quando era criança, todos os jogos funcionavam da mesma forma: ao ar livre, tirando partido do chão, dos elementos que a natureza oferecia ou dos desperdícios jogados no lixo; poucos, porque o consumismo não se tinha ainda imposto com a força avassaladora da contemporaneidade.
Habituada à imensidão dos espaços que a natureza sempre lhe ofereceu, não compreende como se pode meter um jardim Zen num quadrado de madeira. Compreende ainda menos as explicações que, posteriormente, encontrou na parte debaixo da caixa:
“O Jardim Zen é originário do Japão, onde o budismo Zen tem uma grande influência. Usado como sistema de meditação, o Jardim Zen liberta a mente do stress, pressões e confusão. Os seus componentes são singelos. A areia representa o mar; as pedras a montanha, e o ancinho serve para lavrar o jardim. Pode desfrutar desta antiga tradição cultivando o seu próprio jardim Zen. Ponha-o em casa ou no escritório”.
- É o fim da macacada! – desabafou.
Às crianças tiraram a rua, aos idosos oferecem palmos de jardins empacotados.
Aida Baptista

Apontamentos anticancro 5

«Se todos nós temos um potencial cancro adormecido, cada um de nós tem também um organismo concebido para lutar contra o processo de desenvolvimento de tumores. Cabe a cada um de nós usar as defesas naturais do nosso organismo. Há outras culturas que o fazem muito melhor do que a nossa.
Os cancros que atormentam o Ocidente – por exemplo, o cancro da mama, do cólon e da próstata – são de 7 a 60 vezes mais frequentes aqui do que na Ásia. No entanto, as estatísticas revelam que, comparativamente à dos homens ocidentais, a próstata dos orientais que morrem antes dos 50 anos e de outras causas que não de cancro, apresenta a mesma quantidade de microtumores pré-cancerosos. Existe algo no seu estilo de vida que evita o desenvolvimento destes tumores. Por outro lado, a taxa de cancro em japoneses que vieram viver para o Ocidente torna-se igual à nossa na segunda ou na terceira geração. Há algo no nosso estilo de vida que enfraquece as nossas defesas contra essa doença. Estudos mostram que o estilo de vida tem uma influência fundamental. Todas as investigações sobre o cancro são unânimes: os factores genéticos contribuem, no máximo, em 15% das mortes por cancro. Em resumo, a fatalidade genética não existe. Podemos aprender a proteger-nos».
Do livro «Anticancro – um novo estilo de vida» de David Servan-Schreiber.


4 Comentários:

  • Às 22 de maio de 2010 às 08:04 , Blogger Laura disse...

    Também tenho um jardim Zen dentro de casa, na janela da neide e asism está desde que veio, ela pôs mais pedras e lá está...
    às crianças tiraram a rua em detrimento dos carros e da vida, aos velhos aqui nem jardins Zen lhes dão, passam o tmepo na taberna a gastar a desgraçada reforma que não dá para nada mas enche-os de ilusão!...

    belíssima prosa a que a Aida já nos habituou..
    Beijinho da laura

     
  • Às 22 de maio de 2010 às 09:17 , Blogger Maria disse...

    Gostei de lembrar o jogo da macaca, ou do avião. Que horas de prazer, amiga. Qual Jardim Zen!... As nossas brincadeiras eram outras. Os putos agora, nem sabem brincar. Só violência. Nós, o mais violento que faziamos, era brincar aos índios e cow-boys, que viamos nos filmes. Muita imaginação tinhamos, amiga.
    Não calcula as memórias que me despertou.
    Maria

    André
    Já vi anunciado o livro e vou comprá-lo.
    Beijinho
    Maria

     
  • Às 22 de maio de 2010 às 14:34 , Blogger Bichodeconta disse...

    Como criança a lembrar brincadeiras de infancia, que então sim, (digo eu)eram brincadeiras..E digo eu, porque como é narural, as crianças hoje acham as brincadeiras de outrora desajustadas, antiquadas, arcaicas, tal como eu/nós achamos a brincadeiras de hoje violentas e sem imaginação.. O jogo da macaca, que delicia,ao eixo, á bola, ao berlinde, e tantos outros jogos que nos espevitavam e ajudavam a passar os tempos , então sem estas coisas da net .. Eu punha o pé sobre um cartão,desenhava o pé que recortava em seguida, e com tiras do mesmo cartão, pintadas, fazia sandálias lindas, acrescentava-lhes um salto alto feito de carro de linhas, e era ver-nos em perfeito desequilibrio a ver quem andava melhor nos ditos saltos..E os cacos de algum prato ou saladeira que serviam para brincar também mesmo correndo o risco de nos cortar-nos.. Saltar á corda etc etc etc.. Não posso esquecer as histórias á lareira, o colo do pai que partiu, a companhia dos irmãos que se afastaram... Sinais do tempo, de péssimo tempo...Obrigada pela partilha de mais esta história maravilhosa que nos faz voltar á infancia.. Abreijos, Ell

     
  • Às 22 de maio de 2010 às 15:16 , Blogger Andre Moa disse...

    Na minha infância, em Tabuaço, o jogo da macaca era conhecido pelo jogo do píscaro. Jogava-se com uma patela (pedra achatada) e ao pé cochinho. Era jogo só de meninas. Nos intervalos das aulas, elas jogavam ao píscaro ou à corda ou à roda ou às prendas; e nós ao pião ou ao eixo-baldeixo, ou à montaria ou às nações ou ao Robin dos Bosques ou ao ru-ru.
    Para sere franco e mostrar que sou um ignorantão, confesso que no jardim Zem nunca ouvira falar. Só na filosofia Zen.
    Para nos avivarem a memória, regalarem a alma e alimentarem a inteligência é que as crónicas servem.
    Que o livro te faça bom proveito, como espero que a mim faça. Amen.
    Abreijos
    André Moa

     

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