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quinta-feira, 6 de maio de 2010

UMA VIDA EM VERSOS

Aniversário do Pedro Miguel (terceiro da direita) e do Luís Manuel (1.º da direita, falecido há 30 anos). A Susana, mãe do Luís Tiago, é a terceira da esquerda. O resto é o pessoal das duas turmas. Os que estão de costas são dois sobrinhos já pais trintões. Enfim. Uma vida em versos
e a correr.
AOS SETENTA só SESSENTA DE POESIA
ANTOLOGIA DE UM DESCONHECIDO
Edição 1973
(continuação)

POEMAS INDEFINIDOS

TEMPO SILÊNCIO

tempo de silêncio
de condenação
tempo de solidão

nem um cicio
nem um sorriso
nem um rocio

em tempos condenados ao silêncio
a memória dorme
a razão sofre
o coração chora
saudades
pela liberdade na prisão

SEM ISMOS

haverá um dia em que
sem necessidade de um se
este mutismo
não passe
de mero circunstancialismo
e ultrapasse
o condicionalismo
de qualquer ismo

ESPERANÇA

tentei escrever a verde
uma canção de esperança

a tinta estava seca
o papel ressequido

a ponta dos dedos manchada

a canção perdeu-se
a esperança adiada

UMA ONDA GRITOU ALTO
uma onda gritou alto
esmagou a areia toda

as crianças em sobressalto
esqueceram por instantes a fome
a falta de um lar
a falta de um nome
ergueram castelos
simularam um assalto
brincaram às guerras
deram gargalhadas lindas

SEMI POUCO

semiescas mãos manejam
semiascos de semear homens
no aqui e no agora
sem tecto
sem testo
sem tusto
sem reco
sem resto
sem rosto
sem eco

tão pouco
tão tosco
tão oco

semi esco
semi tosco
semi asco
semi eco
semi reco
semi oco
semi rouco
semi pouco

CREIO NO NATAL DE ALGUM DIA

desde que disseram que nasceu neste dia
o homem embebeda-se e chama-lhe alegria

depois de dizerem que o crucificaram
vem sendo esperado ao terceiro dia

trinchadores de peru e outros que tais
afirmam que já veio: comem cada vez mais

nanja os meninos que não têm seio
nem os poetas que choram por isso

André Moa

5 Comentários:

  • Às 7 de maio de 2010 às 09:05 , Blogger Laura disse...

    Tens toda a razão, o homem embebeda-se nessas festas e chamam-lhes alegria de comemorar em familia...
    Os trinchadores de perus e outros que tais, comem cada vez mais

    e os meninos sedentos de alimento e de amor, continuama aumentar no mundo porque o desamor e a desunião ainda impera entre os homens e a smulheres também.

    Felizes recordares dos meninos em pequenos, felizes tempos que já se foram...

    Sempre foste pelos sem tecto (eu também) mas de que vale, ninguém nos ouve, ninguém nos liga, querem é a pança cheia a riqueza cada vez maior e para eles nada disso conta... e podiamos fazer tanto bem todos juntos, ai Moa, Moa querido Moa...
    Aquele abarço cheio de amor até trasbordar da caneca...ou do nosso vaso de manjerico..laura

     
  • Às 7 de maio de 2010 às 22:11 , Blogger Laura disse...

    Ai que o pessoal tá de chuva, tá de greve tá de tudo menos para escrever...
    Beijinhos a ti e até ós pois..laura

     
  • Às 7 de maio de 2010 às 22:48 , Blogger Bichodeconta disse...

    Moa que força pões em cada palavra. Sem culpabilidade amigo, a vida seguiu rumos abruptos, sinuosos, em declive . Forte é o teu ser que soube apesar de tanto, não te esvair em pranto, ou pelo menos não o fazer no choradinho tão usual entre os mortais..Lindos esses teus filhos que aqui ou em outro lugar te enchem o coração de amor.Agora eles continuam a precisar de ti e o Luis Tiago mais do que ninguém precisa de beber com avidez a tua sabedoria, o teu talento, o teu amor ao próximo.. Bem hajas porque existes e porque me permites desfrutar da tua amizade.. É tão bom passar por aqui.Abreijos, Ell

     
  • Às 8 de maio de 2010 às 15:26 , Blogger Maria disse...

    Querido André
    Belos como sempre, mas tanta amargura escondida, tanta lágrima engolida, sob "O manto diáfano" da ironia. Essa ironia doi, amigo. Em ti, em mim, talvez em mais alguém.
    Como te tens sentido?
    Dá notícias.
    Beijinhos para a Teresinha, Susana, grande Campeão e tu.
    Maria

     
  • Às 8 de maio de 2010 às 16:18 , Blogger Andre Moa disse...

    Querida Laura, ninguém nos ouve, dizes? Nós ouvimo-nos. Quando nós formos muitos e muito lúcidos, isto muda, olá se muda. Mas não vai ser fácil nem rápido. A nós cabe-nos ir semeando a boa nova, dar o maior empurrão possível. "Pelo sonho é que vamos" ou não vamos.
    Querida Ell,é tão salutar ler-te, ouvir-te, poder contar com a tua amizade! Chorar eu choro e muito. Mas nunca gostei de choradinhos. Choro com a mesma facilidade com que canto. Mas sempre em nome da vida e com a vida. Se é de pranto a vida, eu desfaço-me em pranto. Se a vida me sorri com um raio de alegria, eu transformo-me num sol de alegria. Eu amo a vida, olhe ela para mim de cara lavada ou vestida de chumbo.
    Querida Maria, quando a amargura nos sufoca, há que regurgitar o resto do resto que nos sobre. Ironia? É um bom camuflado que nos disfarça e ajuda a passar sob as balas mortíferas da vida. E foi sempre assim que escapei e continuo a escapar às arremetidas da morte. E assim será até à última bala, à bala certeira que atinja em cheio e me obrigue a dobrar os joelhos e a tombar definitivamente. Como vou eu, perguntas? Como sempre. Optimamente.
    Daqui a pouco vou sair para particvipar num evento sobre MEDICINA - VERDADES E MITOS. Vou dizer quatro ou cinco poemas: um de Alberto Caeiro e os restantes de André Moa. Julgo que conhecem um e outro. É s dezoito horas na `Sociedade Portuguesa de Naturologia, na Rua do Alecrm,. n.38, 3.º. ao Chiado. Como não sei a que horas chego a casa, vou postar já o Ciclo Reflexão para os dois próximos dias.Reflitamos, que o nosso reflectir tem graça. Espero pelas vossas reflexões, pelas vossas graças.
    Graças.
    Abreijos.
    André Moa

     

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