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quarta-feira, 26 de maio de 2010

UMA VIDA EM VERSOS


AOS SETENTA só SESSENTA DE POESIA
ANTOLOGIA DE UM DESCONHECIDO
Edição 1973
(continuação)

POEMAS INDEFINIDOS
(conclusão)

REDOMÃO
[1]

em português brasileiro
redomão é
cavalo novo que já foi montado
algumas vezes para se amansar

em português lusitano
cavalo
novo ou velho
macho ou égua
escanzelado
à força de ser amansado
e sempre montado
não se diz
redomão

pois não

A DESGRAÇA E A OUTRA FACE
OU
O MEDALHÃO DA EXISTÊNCIA

anverso - desgraça
reverso - esperança
mendigo na praça
a sonhar-se criança

SUBJECTIVAMENTE JÁ FUI MORTO

quando me dói a cabeça
tenho sempre a sensação
que o mundo vai acabar

se é a alma que me dói
o mundo acaba mesmo

GRITO CALADO
dobram sinos
pressentidos

morto sou

olhos choram
improváveis aleluias

vivo sou

asas riscam
mares e céus
no plano levitado
do meu corpo

pássaro sou

rios passam
rios cantam
por mim passam
em mim cantam

boca sou

no meu peito
grito e calo
cio e dores

homem sou

MOEDA FALSA
rico e crava
figueira brava
judas pendura
o pobre cava
e como é brava
sua amargura

DO MAL O MENOS
OU
O QUE CADA QUAL SENTE E DIZ SE SENTISSE E DISSESSE

o nascituro haja luz
o aborto haja alívio
o recém-nascido haja ar
o nado-morto haja limbo
o nado-pobre haja pão
o nado-rico haja “grão”
o impoluto haja paz
o incorrupto haja amor
o made in Portugal haja haver
o são haja vida
o enfermo haja saúde
o moribundo haja outras vidas
o morto haja o que houver
o vivo haja o direito de viver

DECLINAÇÃO

bobos na corte

lobos na corte

pobre res
rei

pobre coisa

ai de nós


Apontamentos anticancro 8

«O confronto com a doença é uma experiência interior que deixa marcas profundas. As estatísticas que nos apresentam sobre a sobrevivência ao cancro não fazem distinção entre as pessoas que se contentam em aceitar passivamente o veredicto médico e aquelas que mobilizam as suas próprias defesas naturais. Dentro da mesma “média”, incluem-se aqueles que continuam a fumar, a expor-se a outras substâncias cancerígenas, que fazem uma alimentação tipicamente ocidental – um fertilizante para o cancro – que continuam a fragilizar o seu sistema imunitário com demasiado stress e pouco controlo sobre as emoções, ou que se esquecem do próprio corpo privando-o de actividade física. E, dentro desta “média”, há aqueles que vivem muito mais tempo. Isto deve-se, provavelmente, ao facto de terem galvanizado as suas defesas naturais ao mesmo tempo que eram submetidos a tratamentos convencionais. Encontraram harmonia graças a este simples quarteto: desintoxicação de substâncias cancerígenas, alimentação anti-cancro, actividade física adequada e busca de paz de espírito.
Não existem métodos naturais capazes de curar o cancro. Mas também não existe fatalidade. O melhor caminho é aprendermos a usar os recursos do nossos organismo para vivermos uma vida mais longa e mais rica.
Em chinês a ideia de “crise” é escrita com a combinação de dois caracteres: “perigo” e “oportunidade”. O efeito ameaçador do cancro cega-nos; torna-se difícil para nós alcançar o seu potencial criativo. Em muitos aspectos, a minha doença mudou a minha vida para melhor, de uma maneira que eu nunca poderia ter imaginado quando pensava que estava condenado».
Do livro «Anticancro – um novo estilo de vida» de David Servan-Schreiber.
Nota: soube ontem pelo Kim que o autor deste livro esteve em Portugal. Hoje deparei com uma pequena entrevista dele na revista Visão, onde resume a sua História clínica e a forma de combater o cancro, que ele expande neste seu livro de que estou a transcrever para aqui algumas passagens. André Moa
[1] Redomão (do cast. Redómon), s.m. (bras.)

8 Comentários:

  • Às 27 de maio de 2010 às 00:35 , Blogger Zé do Cão disse...

    Aqui está o meu mail. Sargentonoactivo@yahoo.com
    para não expor o télélé.

    Abraço

     
  • Às 27 de maio de 2010 às 17:38 , Blogger Maria disse...

    Querido poeta
    Lindos os versos. Linda e corajosa a tua maneira de encarar a vida e a doença.
    Ainda não encontrei o livro, mas li a entrevista do Dr Shriver na Visão. Tenho que ler o livro urgentemente. Talvez aprenda a ver a vida de uma forma mais positiva. Bem preciso.
    Beijos
    Maria

     
  • Às 28 de maio de 2010 às 00:07 , Blogger Andre Moa disse...

    Querida Maria,
    Aprender a ver a vida de uma forma positiva é o que me ocupa instantemente. Nem sempre consigo. Mas como é preciso para sobreviver, não páro de aprender, por isso insisto. Nem que seja prciso fazer das tripas coração e do coração salpicão Eu já vou a meio da leitura do livro. Tem-me ajudado a cimentar a minha convicção de que "tudo vale a pena se a alma não é pequena" e que até ao lavar dos cestos é vindima, ou seja, até ao chegar da morte, tudo é vida. Que bom!
    Beijinhos.
    André Moa

     
  • Às 28 de maio de 2010 às 00:47 , Blogger Je Vois la Vie en Vert disse...

    Tudo vale a pena, André !
    E ainda por cima a tua alma é grande ! Respeito-te demais - mesmo quando sou brincalhona - para tentar te convencer em nada mas pensaste em informar-te sobre o budismo ? Se vais fazer estes tratamentos quânticos, deve haver possibilidade de aprender mais sobre esta religião. Sem querer te forçar em nada, acho que até se podia adequar a ti e podes ficar sossegado que eu continuava a falar contigo exactamente da mesma maneira, e porque não se és o meu amigo ?
    Qualquer religião tem todo o meu respeito se ela quer o BEM. Para mim o que interessa é isso e Deus, claro, mesmo se o caminho para chegar a Ele é diferente. Agora o mais difícil no teu caso é convencer que existe um outro d(eu)s.... ;))
    E se forem vários ? Não sei muito sobre esta religião, pode ser que nos ensinas alguma coisa !!
    Gostei muito de ver-te, tive pena de não poder ouvir-te mais cantar.
    Espero que o teu regresso à terra com este grande amigo que tens e que temos, vai fazer-te bem, vai permitir respirar um grande "bol d'oxygène" . Agora tens que ir ao dicionário para entender....

    Muitos beijinhos verdinhos

    Verdinha

     
  • Às 28 de maio de 2010 às 10:10 , Blogger Maria disse...

    Querido André
    Saber viver é bom. Amar a vida, tentar vivê-la e aceitar o que nos dá com alegria e resignação, tentando resolver os problemas que aparecem, sem tragédias, nem dramas.
    Às vezes parece díficil, mas com coragem acabamos por lá chegar. Pena, que muita gente só aprende isso com a idade. Outros, como tu, nascem assim. Fazes parte do grupo dos heóis que admiro. Valentia é enfrentar a vida de frente, sem lhe mostrar medo.
    Obrigada pelas tuas palavras amigas.
    Beijinhos a todos vós.
    Maria

     
  • Às 28 de maio de 2010 às 13:49 , Blogger Andre Moa disse...

    Cara Verdinha,
    por mais que te custe a compreender e a aceitar, podes crer que passo bem sem qualquer religião. Julgo já me ter debruçado o suficiente sobre o budismo para ter percebido que a raiz de qualquer religião (se bem que haja quem defenda que o budismo não será verdadeiramente uma religião) é sempre a mesma - ignorância e medo. Por mim, quanto mais as mastigo mais me enjoam, por isso a todas vomito. Não queiras que dê mais cabo do estômago - eheheheheheh. Estou tão bem assim! Convicto e livre.
    Beijinhos de todas as cores, que o bom não está nas cores, mas nos beijinhos.
    André Moa

     
  • Às 28 de maio de 2010 às 17:13 , Blogger Paixão Lima disse...

    Irmão Moa,
    A vida vive-se. E viver com intensidade é saborear a vida em todo o seu esplendor e plenitude. Eis o que tu fazes com rara coragem e extrema dignidade. Mas que grande exemplo de vida me saíste, Irmãozito. Sabes que tenho muito orgulho em ti ?! Fazes honra à Família. Tenho de pôr na lapela do casaco um dístico com a seguinte frase: EU SOU IRMÃO DO ANDRÉ MOA.
    Um grande abraço Maninho.

     
  • Às 28 de maio de 2010 às 19:42 , Blogger Andre Moa disse...

    Ai agora, irmão Paixão, deu-te para gozares cá com o Moa, foi?
    Um grande abraço
    André Moa

     

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